O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, defendeu que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa está posicionada para assumir um papel mais relevante no equilíbrio global nas próximas décadas, impulsionada sobretudo pelo peso demográfico e pela juventude do continente africano.
Segundo informação avançada pela Lusa, durante a sua intervenção no EurAfrican Forum 2026, Rangel sublinhou que o crescimento populacional africano constitui um “ativo estratégico” com impacto direto na afirmação internacional do espaço lusófono. O ministro destacou ainda que África poderá tornar-se o continente mais populoso ou a igualar a Ásia até ao final do século, sendo simultaneamente o mais jovem.
O governante apontou que o número de falantes de português poderá ultrapassar os 500 milhões nas próximas décadas, reforçando a posição da língua como instrumento de comunicação global. Neste contexto, países como Angola e Moçambique deverão assumir um papel determinante nesse crescimento.
O ministro considerou também, citado pela Lusa, que África será o “centro de gravidade” da CPLP, uma vez que concentra a maioria dos Estados-membros, seis em nove, funcionando como plataforma de projeção internacional do bloco. Rangel defendeu uma relação de complementaridade entre Europa e África, conjugando o desenvolvimento europeu com o dinamismo demográfico africano, numa lógica de equilíbrio face a outros polos geopolíticos.
No mesmo fórum, a investigadora Maria Mota, defendeu: “Talento é a única coisa que existe de forma igualitária. O que não há são as mesmas oportunidades”. O ponto de partida não foi a falta de capacidade humana. Foi a distância que ainda separa o talento das condições necessárias para que este se possa desenvolver, competir e produzir resultados onde nasce.
A questão não está apenas em permitir que investigadores africanos acedam às melhores universidades, laboratórios ou redes internacionais, está em garantir que o conhecimento adquirido se transforme em instituições locais e equipas permanentes e centros com massa crítica para competir, captar financiamento e responder às necessidades das populações. “Programas globais, mas com estruturas locais.”
Juventude, o motor que colocará a CPLP no mapa global
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Nas próximas décadas, 500 milhões falarão português, colocando a língua como um ativo estratégico. Angola e Moçambique têm um papel determinante nesse crescimento.