As relações entre Moçambique e Portugal estão ótimas e recomendam-se, mas o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, quer passar das palavras aos atos. “O nosso foco tem de ser a cooperação económica e comercial virada para resultados e transformar parcerias estratégicas em resultados”, afirma. O Presidente português, António José Seguro, concorda e defende a necessidade de uma evolução na relação económica, de “trocas comerciais para parcerias estratégicas”, para “transformar comércio em investimento produtivo”.
Os dois presidentes foram os protagonistas de uma conversa que abriu o EurAfrican Forum 2026, promovido pelo Conselho da Diáspora Portuguesa e que decorreu entre 15 e 16 de julho, na NovaSBE, em Carcavelos.
Daniel Chapo e António José Seguro confirmaram a excelente relação entre os dois países a nível económico e diplomático, mas sublinharam que se encontra numa fase mais orientada para resultados concretos, aproveitando as vantagens da amizade, da língua e da história comuns.
Por isso, Chapo convidou os empresários portugueses a investir em Moçambique. “Este é o momento certo”, garantiu.
As oportunidades de investimento encontram-se nos setores dos recursos extrativos, na energia, caso do gás natural – que se espera entre num período de exploração – e das energias renováveis. Também agricultura, inclusive na vertente dos fertilizantes, e o turismo.
Um dos instrumentos-chave para concretizar esta vontade de captar capital estrangeiro é a linha de crédito de 500 milhões de euros, anunciada pelo Governo português em dezembro de 2025. António José Seguro diz que se encontra “muito próximo de uma decisão final”.
O setor energético foi usado por Daniel Chapo como um exemplo de sucesso, destacando os investimentos em gás natural, que podem atingir os 50 mil milhões de dólares (cerca de 43,5 mil milhões de euros) nos próximos cinco a 10 anos, e que estão a ser concretizados por empresas europeias.
Referiu ainda o primeiro projeto de capital privado na ordem dos 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros), da norte-americana Exxon, a maior petrolífera e gasista cotada, que deverá ser concretizado em breve.
Chapo aponta que a economia moçambicana está a crescer a um ritmo de cerca 3%, fundamental para superar a taxa de crescimento da população.
Todos juntos, estes dados sustentam a ambição: mais de 1.100 empresas portuguesas operam em Moçambique, sendo Portugal o sétimo fornecedor. A base humana é também relevante, com cerca de 13 mil moçambicanos em Portugal e 40 mil portugueses em território moçambicano.
Os dois presidentes apontam a educação, ciência e tecnologia como pilares estruturais dos dois países.
António José Seguro aproveita para destacar a excelência da capacidade formativa de Portugal, “do melhor que se faz no mundo”, dizendo que esta está ao dispor de Moçambique. Destacou ainda a estabilidade e o potencial do país africano, elogiando diretamente a liderança de Daniel Chapo.
Por seu lado, o congénere africano agradeceu o apoio que Portugal tem dado a Moçambique a nível de segurança, nomeadamente na província de Cabo Delgado, assim como na resposta às cheias e ciclones que assolaram o país no ano passado.
Moçambique quer portugueses a investir, mas para ter resultados
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Há oportunidades para as empresas portuguesas e, em breve, 500 milhões para concretizar projetos. Energia, agricultura, minas , turismo e educação são o foco.