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Jovens portugueses estão a deixar de beber álcool

m Portugal, 16% da população total planeia cortar no álcool, mas entre os jovens essa percentagem sobe para 20% — um índice de 126 face à média do país, o mais elevado dos cinco mercados europeus analisados

Os portugueses com menos de 35 anos (e mais de 18) apresentam uma das intenções mais fortes na Europa ocidental de reduzir o consumo de álcool, seguidos dos jovens da Irlanda e Espanha. Os dados são do estudo "Ale Yeah! Brewing the future of beer through consumer voices" da Worldpanel by Numerator que analisou os consumidores de Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Irlanda.

De acordo com Marta Santos, country manager da Worldpanel by Numerator em Portugal, “os consumidores mais jovens estão a redefinir a relação com o álcool mas não estão a abandonar a socialização nem a experiência. O que mudou foram as regras, estamos a ver três forças muito claras: moderação, bem-estar e experiência. Há um fator muito importante, a saúde mental. Stress, sono e equilibrio pesam mais nas decisões e na forma como se socializa”, explica.

Em Portugal, 16% da população total planeia cortar no álcool, mas entre os jovens essa percentagem sobe para 20% — um índice de 126 face à média do país, o mais elevado dos cinco mercados analisados. Irlanda (índice 110) e Espanha (104) seguem-se nesta tendência, enquanto França (90) e Grã-Bretanha (91) ficam abaixo da média nacional nos dois casos, de acordo com a análise da Numerator.

Os dados revelam ainda que os jovens portugueses apresentam níveis elevados de preocupação com o stress (43%) e ansiedade, o que leva este grupo a adotar estratégias de beber álcool com moderação, como o "zebra striping" (intercalar bebidas alcoólicas com água ou opções sem álcool) para garantir experiências sociais mais positiva.

O controlo do peso corporal é a maior preocupação de mais de metade dos europeus (55%), o que tem impulsionado a procura por opções com baixo teor de açúcar ou zero calorias, indica o mesmo estudo.

Consumo de água aumenta

O estudo, que foi apresentado recentemente no encontro dos Cervejeiros de Portugal, em Lisboa, indica que o consumo de água nos lares e fora de casa aumentou de 2024 para 2025 em Portugal.

Marta Santos sublinha que o jovem consumidor português não está a trocar a água pela cerveja, por exemplo, e adjetiva como "mudança estrutural" a alteração de comportamento. "As necessidades do consumidor estão a mudar, a água cresce porque responde muito bem às tendências de saúde, funcionalidade e hidratação”.

A estas mudanças comportamentais juntam-se o crescimento do consumo de cerveja sem álcool (como já havia sido noticiado pelo Jornal Económico).  Aliás, o segmento sem álcool foi o principal motor de crescimento em 2025. A categoria registou um crescimento de 11,45%, significativamente acima da média dos últimos anos, situada entre os 6% e os 8%.

Este segmento representou cerca de 27% do crescimento total do mercado doméstico, contribuindo com mais de 14 mil hectolitros adicionais para um crescimento global de 55 mil hectolitros.