A introdução da Inteligência Artificial (IA) no setor da saúde vai proporcionar diversas melhorias do ponto de vista da resposta clínica e de diagnósticos, mas não como a solução para resolver todas as questões.´
“A IA poderá trazer mais capacidade na resposta, o conhecimento de novos diagnósticos. Vai ser um grande motor da inovação, mas não devemos olhar para a IA como a solução que vai resolver todos os problemas do mundo”, afirmou Ana Gil Abreu Marques, General Counsel, Compliance Officer e Data Privacy Coordinator das sociedades do grupo Siemens Healthineers em Portugal.
A responsável salientou que esta ferramenta tem de ser acompanhada de literacia não só nos profissionais de saúde, mas também nos pacientes e ser utilizada em primeiro lugar para resolver problemas mais básicos, como o envio de uma receita médica.
“Havia pessoas que nas ilhas dos Açores tinham de ir barco a Ponta Delgada no ano passado para ir buscar uma receita. Isto não faz sentido. Não podemos pensar em resolver o mundo, quando não conseguimos tratar destes problemas”, alertou.
Por seu turno, Mécia Fonseca, Head of Value & Access, Innovative Medicines da Novartis destacou que “vivemos numa era em que a tecnologia está a avançar a um ritmo sem precedentes”.
A responsável deu como exemplo os medicamentos biológicos que para um doente significa um atraso na doença, uma vida ativa e com melhor qualidade, mas também menos internamentos.
“Isto significa também uma otimização dos recursos. Tratar melhor o doente certo também é uma forma de otimizar os recursos. Este tipo de medicamentos não só permite trazer ganhos clínicos, mas também valor para a sociedade”, referiu.
A responsável apontou que o principal desafio são os diferentes níveis de ritmos que existem entre a regulamentação, que não está a evoluir a uma velocidade que consiga acompanhar as tecnologias.
“Quando houve uma emergência mundial como a Covid-19 foi possível simplificar. Não temos consistência nem previsibilidade sobre os tempos de decisão e isso é fundamental devido ao contexto geopolítico que vivemos. Essa previsibilidade é importante, não só para atrair investimentos, como recursos humanos”, sublinhou.
Mécia Fonseca defendeu ainda a importância dos ensaios clínicos que na Europa estão a perder terreno para os Estados Unidos e Ásia, sendo que Portugal tem de fazer um esforço para que seja mais competitivo face à vizinha Espanha.
“O que diferencia Espanha de Portugal é que houve um grande investimento para que o país seja altamente competitivo. No final do dia se não trabalharmos em conjunto quem vai perder são os doentes”, concluiu.
Inteligência artificial não vai resolver todos os problemas
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As ferramentas com novas tecnologias têm de ser acompanhadas de uma aposta na literacia dos profissionais de saúde e pacientes.