O setor da saúde é um mercado que vale 9,8 mil milhões de dólares. Contudo, não é acessível a todos. Para se ter uma ideia, a nível global, mais de metade da população mundial, cerca de 74,5%, não tem acesso a cuidados de saúde essenciais, ao mesmo tempo que 79% dos países de alto rendimento concentram a maior parte da despesa global em saúde, evidenciando fortes assimetrias.
“Em Portugal, a despesa em saúde atingiu 29,2 mil milhões de euros em 2024, o equivalente a 10,2% do PIB, acima da média da OCDE que é de 9,3%, tendo registado crescimentos significativos de 23% e 8% em anos recentes, o que aumenta a pressão sobre o financiamento do sistema”, disse Hermano Rodrigues, Ey parthenon durante a conferência “Economia na Saúde: Sustentabilidade e Inovação”, organizada pelo Jornal Económico em parceria com a Morais Leitão.
“O Serviço Nacional de Saúde encontra-se sob pressão, com cerca de 1,6 milhões de pessoas sem médico de família, aproximadamente 1 milhão de utentes em lista de espera para consultas hospitalares e entre 25 mil e 64 mil pessoas à espera de cirurgia, com tempos de resposta que podem atingir entre 3,5 e os 5 meses. O sistema conta atualmente com 39 unidades locais de saúde e cerca de 155 mil profissionais, mais 4000 desde 2024. As despesas do SNS em 2025, rondaram os 18 mil milhões de euros, incluindo 1378 milhões de euros aos hospitais.
Em paralelo, o setor privado tem registado uma dinâmica de crescimento significativa, com investimentos superiores a 200 milhões de euros previstos para 2025. Os hospitais privados tiveram um investimento recorde de 312 milhões de euros, em 2025. A despesa nos hospitais privados cresceu 12,4% no ano.
Para o responsável, o país enfrenta desafios demográficos relevantes, com uma esperança média de vida de 82,5 anos, acima da média da OCDE de 81 anos, mas com uma elevada incidência de doenças crónicas na população com mais de 16 anos, colocando Portugal entre os piores registos europeus neste indicador.
Quanto à indústria farmacêutica, esta mantém uma trajetória de crescimento global, impulsionada pela inovação científica e pelo envelhecimento da população. Segundo Hermano Rodrigues, o mercado mundial atinge 2,3 mil milhões de dólares, crescendo 7% ao ano, com destaque para áreas como oncologia, imunologia e diabetes.
Em Portugal, estão em curso 608 ensaios clínicos e o investimento em I&D ronda os 116 milhões de euros, revelando um ecossistema em expansão, ainda que com margem de desenvolvimento. Os medicamentos inovadores em vida ronda os 5 a 7 milhões de euros anuais, acima da despesa total de Portugal que se situa nos 3,8 milhões de euros. Além disso, o responsável afirma que estes reduzem 560 milhões de euros em hospitalizações e custos diretos em saúde. Porém, na última década, o país perdeu 33% dos genéricos essenciais. O desafio passa por reforçar a competitividade, captar investimento e consolidar o papel na cadeia global do setor. O único caminho para tratar a saúde.
Saúde em estado de alerta: SNS em apneia e privados a ganhar fôlego
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O acesso à Saúde é um dos principais desafios globais e nacionais: Em Portugal os pontos críticos são as listas de espera, a falta de médicos de família e a baixa literacia em saúde digital.