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Guy Villax: “Fabricantes de genéricos não ganham dinheiro em Portugal”

O presidente do Health Cluster Portugal criticou o baixo preço dos medicamentos genéricos em Portugal e apontou a falta de coragem política para resolver os problemas do SNS.

A entrevista com Guy Villax, presidente do Health Cluster Portugal(HCP) começou com André Macedo, diretor do Jornal Económico(JE), a recordar uma frase dita no passado recente pelo entrevistado: “há medicamentos que têm um preço mais barato do que chocolates”. O responsável do HCP começou a conversa a críticar aos preços baixos praticados nos medicamentos genéricos em Portugal alertando que as empresas podem deixar de ter interesse em fabricá-los. Guy Villax disse que as empresas que fabricam medicamentos genéricos em Portugal, não ganham dinheiro no país, “mas sim com a exportação”, sobretudo para os Estados Unidos. “O mercado português não compensa pelos preços baixos praticados”, sublinhou. Ainda sobre os EUA, o entrevistado foi questionado sobre as incertezas trazidas pela administração de Donald Trump. Respondeu que a incerteza é real, apesar de não existirem aumento de tarifas para medicamentos. “Os genéricos já estão isentos de taxa, mas o risco existe”. Indicou ainda que as empresas fabricantes de genéricos em Portugal vão continuar a ter nos EUA um mercado desejável, grande, “sem as complicações da Europa”.
Durante a conversa, Villax fez questão em relembrar que a industria farmacêutica “é um negócio com investimentos a longo prazo e projetos que duram muitos anos num mercado muito exigente”, Apontou ainda para a necessidade de uma regulação exigente do ponto de vista ciêntífico o que “não se compara a outros reguladores”. Ainda sobre o regulador, exigiu que este faça um “policiamento eficaz” mas que não se fique apenas por esse papel e seja também “um catalisador de inovação, de progresso e de crescimento”.
Questionado sobre o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) como fator de inovação, o responsável do HCP retorquiu indicando que os diagnósticos estão claros no SNS: “sabe-se o que é necessário resolver. O que falta é coragem, decisões e fazer acontecer. O SNS é a área de gestão mais complicada que existe, porque são pessoas a tratar de pessoas onde o critério de sucesso é a qualidade e não a quantidade. São 150 mil pessoas a trabalhar, é o maior empregador do país, e há que gerir uma mudança com cuidado, porque o SNS tem muitas coisas boas e não se pode estragar tudo e fazer de novo”,
O presidente do HCP reforçou a ideia que a primeira nomeação para a direção executiva do SNS(o médico Fernando Araújo) foi acertada “mas depois foi rapidamente substituída o que dificulta chegar a um objetivo”. Guy Villax recordou um exemplo ocorrido durante a pandema da covid-19, adjetivando-o como o “auge da inteferência política” na saúde: “Em 2022 que Portugal foi o recordista dos pés amputados devido à diabetes, por falta de diagnóstico para tratamento, porque na altura a única atenção foi a covid-19”. Sublinhando que o poder político não deve intervir acrescentou que “os problemas existentes são de gestão, técnicos e complexos, mas as soluções são simples. Se elas não são tomadas é porque se encontram resistências”, acrescentou.
No final da entrevista, pediu-se uma avaliação dos últimos dez anos da saúde em Portugal. Guy Villax disse que o país tem evoluído positivamente, “a direção executiva do SNS foi uma peça-chave, além disso tem-se conseguido criar uma infraestrutura de recolha de dados para poder saber a quantas andamos”. Apontou ainda os ensaios clínicos como um progresso para angariar receitas e dar aos hospitais do Estado alguma flexibilidade na procura de verbas que chegam exatamento via ensaios clínicos”, concluiu.

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