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Indústria portuguesa preparada para fornecer fabricantes mundiais de caças

Fileira de defesa garante que a indústria nacional está preparada para ser fornecedora do caça que vier a ser escolhido por Portugal para substituir os F-16.

Portugal tem capacidade para fornecer os maiores fabricantes mundiais de caças de aviões de combate, defende o setor nacional de indústria aeronáutica.

Vários dos maiores construtores mundiais já revelaram que estão interessados em participar no futuro concurso, ainda sem data, para fornecer os substitutos dos F-16.

Nesta lista constam a norte-americana Lockheed Martin, produtora dos F-35, a sueca Saab, que produz os Gripen, e o consórcio Eurofighter, que fabrica os Typhoon.

Todas estas fabricantes, sem exceção, têm prometido integrar a indústria nacional na produção de componentes para os seus caças ou para os seus produtos.

"Garantidamente que sim", afirma ao JE José Neves - líder da AED, associação que junta o setor nacional da aeronáutica e defesa - quando questionado se a indústria portuguesa está preparada para integrar a cadeia de valor destas companhias.

"Temos empresas portuguesas neste momento a exportar drones, a satélites, sistemas de comunicação. Temos um mercado e capacidade industrial que não tínhamos há dez anos", destacando a subida do investimento em defesa para 2% do PIB.

Destacando a presença da Lockheed Martin, Airbus e Saab no evento para "darem a conhecer as suas valências e conhecerem ainda melhor o ecossistema português, exatamente para no futuro poderem trabalhar com estas empresas e com esse ecossistema".

Sobre os principais mercados de exportação de Portugal neste setor, José Neves destaca a Europa, mas também a OGMA que exporta para o Brasil componentes do KC-390, empresas que vendem para a Boeing nos Estados Unidos, outras que estão a vender para o Canadá.

Ao mesmo tempo, "temos empresas na área de drones neste momento a produzirem exportarem também para o Médio Oriente. Em resumo, "temos literalmente um mercado global. Uma vez que o mercado interno português é muito pequeno, as empresas têm de se projetar rapidamente para o exterior... têm de ter uma grande competitividade".

Questionado se a guerra no Médio Oriente aumentou a procura por equipamento de defesa pelos países do Golfo Pérsico, José Neves diz: "A resposta é sim e não. Ainda antes desta guerra, estivemos no Dubai em novembro onde a presença de várias empresas portuguesas, tanto na área de drones como na área de sistemas de comunicação, como na área de software e de estruturas. Já olhavam para este mercado com especial apetite".

"Naturalmente, o cenário neste momento faz com que os países nessa zona do globo tenham uma urgência maior na aquisição de produtos", afirmou, apontando que Portugal já tem "produtos desenvolvidos e testados em cenário operacional...", segundo o líder da AED.

Sobre a subida do orçamento da defesa para 2% do PIB, diz: "não queremos gastar em defesa, queremos investir em defesa. Investir na defesa significa envolver cada vez mais as empresas portuguesas no desenvolvimento tecnológico. Implica cada vez mais apostar no talento português a promover valor em Portugal que promova também exportações, valor acrescentado. O grande desafio não é o valor, mas a qualidade desse investimento em defesa", rematou José Neves.