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Transporte de colmeias um negócio em crescimento

Procura crescente por mel e serviços de polinização impulsiona um segmento logístico especializado, num contexto de expansão da apicultura também na Europa. Portugal dá os primeiros passos. Uma viagem do Alentejo até ao Norte pode custar entre 1000 e 1500 euros.

À primeira vista, transportar abelhas pode parecer uma necessidade de nicho. Mas, na realidade, está no centro de uma transformação silenciosa da agricultura moderna. À medida que a produção alimentar se torna mais intensiva e dependente de culturas que exigem polinização — como amêndoas, frutos vermelhos ou pomares — cresce também a necessidade de deslocar milhões de abelhas entre regiões, acompanhando os ciclos de floração.

Esta prática, conhecida como apicultura migratória, levou ao desenvolvimento de serviços logísticos altamente especializados. Os apicultores deixaram de operar apenas localmente e passaram a integrar cadeias agrícolas mais amplas, onde o tempo, a localização e a saúde das colónias são determinantes para a produtividade. Nesse contexto, os camiões para transporte de colmeias tornaram-se uma peça essencial, garantindo que as abelhas chegam em segurança aos destinos onde são mais necessárias — e no momento certo.

O mercado global de camiões para transporte de colmeias deverá atingir cerca de 1,07 mil milhões de euros até 2030, crescendo a uma taxa média anual de 6,5%, segundo um relatório recente da The Business Research Company.

O estudo aponta para um crescimento de 782 milhões de euros em 2025 para aproximadamente 828 milhões de euros em 2026, refletindo a crescente profissionalização da apicultura e o aumento da procura global por serviços de polinização.

Este segmento logístico especializado acompanha a expansão de um setor mais amplo: a apicultura. Na Europa, o mercado apícola foi avaliado em cerca 3,66 mil milhões de euros em 2024 e deverá crescer para 6,04 mil milhões de euros até 2033, evidenciando a importância crescente desta atividade no espaço europeu.

Os camiões dedicados ao transporte de colmeias — equipados com sistemas de ventilação, racks modulares e mecanismos de carga — tornaram-se essenciais para a chamada apicultura migratória, permitindo deslocar colónias para zonas com maior disponibilidade de néctar ou para culturas agrícolas que dependem de polinização.

Na União Europeia, estima-se a existência de cerca de 600 mil apicultores e 16 milhões de colmeias, embora apenas uma pequena fração opere em escala comercial, o que indica margem para crescimento e modernização — incluindo na logística associada.

Portugal insere-se neste panorama europeu. Estudos académicos mostram que o país integra o grupo de nações com atividade apícola relevante, ainda que com forte presença de produtores de pequena escala e características heterogéneas entre regiões. Quanto a números, em Portugal existem 12.282 apicultores registados, 43 mil apiários e 765.594 colmeias.

A procura por mel — impulsionada por tendências de consumo mais naturais — e o aumento da dependência agrícola de polinizadores são apontados como principais motores do crescimento. Paralelamente, a produção europeia de cerca de 200 mil toneladas de mel por ano não é suficiente para cobrir a procura interna, o que reforça a pressão sobre o setor para aumentar a produtividade e eficiência.

É neste contexto que os camiões de transporte de colmeias ganham relevância estratégica. O relatório destaca ainda tendências como a adoção de veículos elétricos ou de baixas emissões, sistemas de controlo climático para proteger as abelhas durante o transporte e tecnologias de monitorização da saúde das colónias.

Pedo Acabado, apicultor da Pa Bees & Blooms conta que é o segundo ano que contrata um serviço de camião refrigerado para levar colmeias do Alentejo para uma cultura de Kiwis no Norte. O valor situa-se entre os 1000 e os 1500 euros para transportar cerca de 500 a 650 colmeias.

No entanto, diz que em Portugal como as distâncias são curtas muitas vezes faz o transporte durante a noite utilizando o seu próprio camião, quando a cultura fica mais próxima e demora uma hora ou duas.  Contudo, salienta que o mercado de polinização teve um boom e que há muitos apicultores que não têm as condições logísticas apropriadas para fazer o transporte das abelhas e que este tipo de serviço é uma alternativa no mercado.