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Imaginar a educação em 2050 e os caminhos para lá chegar

Fundação Santander junta comunidade educativa e empresas para pensar o futuro da educação na era da IA. Resultado será um Manifesto com várias possibilidades e planos de ação alinhados no tempo.

escola e a universidade deixaram de ser o centro educativo em 2050. Colapsaram ou tornaram-se irrelevantes. Deram origem a uma nova era na educação. A aprendizagem faz-se em rede “AI-Native”. É totalmente descentralizada e hiper-personalizada.
Não passa de um cenário. O mais extremo dos seis cenários que estão a ser trabalhados no âmbito de Horizontes da Educação - Chamada para o Futuro, o novo projeto lançado pela Fundação Santander Portugal. O enunciado do projeto quase cabe numa pergunta, que é tudo menos retórica: E se tivéssemos de reinventar a educação, não para ontem, mas para o mundo que se avizinha? Um mundo já na era da chamada inteligência artificial (IA), que a 25 anos de distância nos faz estremecer.
“O futuro não se projeta apenas através de políticas ou tecnologias”, diz Inês Rocha de Gouveia, presidente da Fundação Santander Portugal. Projeta-se, sobretudo, adianta, através da “capacidade de imaginar coletivamente o que ainda não existe”. À luz desse seu olhar, lançou o repto a vozes diferentes para “escutar o presente, explorar cenários e desafiar certezas”. Professores, estudantes, doutorados, especialistas, empresas, gestores e decisores políticos disponibilizaram-se e vieram sentar-se à mesma mesa para pensar “uma educação mais humana, flexível e alinhada com as transformações do mundo”.
Há, entre os envolvidos, anónimos, mas também nomes conhecidos. Todos olham para 2050. E contribuem para um “trabalho de co-criação”, que visa cumprir o desiderato de imaginar os caminhos possíveis para a educação nesse ano.
O projeto da Fundação Santander arrancou em julho de 2024 e vai a meio. Primeiro foram as entrevistas e os inquéritos, agora os workshops. A Universidade de Aveiro acolheu o primeiro e aí nasceu o Radar Estratégico do Futuro da Educação, explorando tendências, forças de mudança e sinais emergentes que vão moldar o futuro.
Desta vez, foi a Católica-Lisbon a abrir as suas portas. Uma sala, seis mesas e em cada uma um cenário futurista para 2050. Os participantes, num total de 45, refletem, discutem, debatem, acrescentam, retiram... melhoram e afinam os cenários, que vão do mais conservador até ao mais extremo.
Paulo Soeiro de Carvalho, professor universitário especializado em Prospectiva e Estratégia das Organizações e rosto do The Long Game, parceiro do projeto, dinamiza a sessão. Por contraponto, ao cenário extremo em que a educação se faz através de plataformas globais, apresenta-nos agora o mais benigno, aquele em que a IA é tratada como “infraestrutura pública fundamental, regulada e auditável, ao serviço do bem comum”. Aqui, o Ministério da Educação funciona como orquestrador de um ecossistema marcado por módulos e currículos flexíveis. “Os cenários são todos diferentes e todos possíveis de vir a concretizar-se”, diz-nos.
Hoje, 23 de janeiro, Horizontes da Educação entra numa nova fase, com uma sessão online aberta a uma comunidade mais alargada, que tentará aprofundar os seis cenários.
No final, o projeto dará origem a um “documento vivo”. Um Manifesto, que adianta Inês Rocha de Gouveia contará com “contributos de toda a sociedade” e integrará várias possibilidades e planos de ação alinhados no tempo.
Na Católica-Lisbon, Filipe Santos, o anfitrião, está duplamente agradado: Horizontes da Educação será “um instrumento fundamental” para ajudar a construir o futuro de um sistema que pouco mudou nos últimos dois séculos e que padece de um “défice de inovação sistémica”.
O dean salienta a existência de “alguma inovação localizada, empreendedores e agentes de política pública que estão a tentar inovar, com um projeto piloto a nascer aqui, outro ali”, mas esta iniciativa é outro patamar. “Aponta caminhos para uma inovação sistémica com o envolvimento de todas as partes interessadas”, afirma.
Definitivamente, mais do que uma pedrada no charco.

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