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Guerra EUA-China: trégua ou cessar-fogo? Trégua!

O encontro entre Xi Jinping e Donald Trump correu bem. Mas, principalmente, trouxe os dois países de regresso ao início do embate. Ou seja, os problemas de fundo continuam lá.

Parece haver alguma unanimidade entre os analistas, que, apesar das contidas declarações de Xi Jinping e das incontidas declarações de Donald Trump sobre os resultados do encontro entre ambos, consideram que o mundo está perante uma trégua na guerra entre as duas maiores economias do mundo, e não perante um cessar-fogo. Dificilmente podia ser de outra forma: nas semanas precedentes, ambos os líderes fizeram enormes esforços para juntar em seu torno o maior número possível de aliados. Xi Jinping tem-se desdobrado em encontros e cimeiras com países terceiros e com organizações, enquanto Donald Trump realizou uma viagem de cinco dias aos mais distintos, distantes e levemente mal-tratados aliados asiáticos – que, segundo os analistas, foi coroado de êxito. Ou seja, ambos chegaram ao encontro exibindo ao adversário os trunfos que acabavam de armazenar até há instantes, numa corrida aos confins da Ásia, de África e da Oceânia. Curiosamente, nenhum dos dois teve vagar para passar pela União Europeia – o que diz muito do peso político, comercial, industrial, estratégico e institucional que tem neste momento.
O acordo anunciado esta quinta-feira — que inclui a retoma das compras de soja pela China, a suspensão das restrições à exportação de terras raras por um ano e a redução das tarifas norte-americanas sobre a China em 10% (para 47%) – restaura, em linhas gerais, o entendimento bilateral que existia antes da ofensiva do ‘Dia da Libertação’, que implicou o início da guerra comercial e uma escalada de retaliações mútuas.
Mas o acordo expõe a dissidência fundamental entre o que Washington quer e o que Pequim está disposta a oferecer. Ausentes das negociações estavam as principais questões citadas por Trump quando lançou as tarifas em abril: as políticas industriais da China, baseadas numa agressividade suportada pelo Orçamento do Estado e não por qualquer imperativo de mercado. “Estamos a falar da redução da escalada”, que passa pela retirada “das medidas que ambos os lados adotaram desde o início do governo Trump na guerra comercial crescente”, disse Emily Kilcrease, diretora do Centro para uma Nova Segurança Americana, citada pela agência Reuters.

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