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Gronelândia no centro das atenções, mas longe da mudança

As eleições de 24 de março são uma aposta da atual primeira-ministra para tentar ultrapassar as dificuldades impostas pela coligação tripartida. Mas as sondagens não parecem oferecer-lhe essa hipótese.

Há meses que a Dinamarca está sob forte pressão dos Estados Unidos a propósito das pretensões expansionistas dos norte-americanos sobre a Gronelândia – território autónomo sob administração dinamarquesa – tendo em vista questões de segurança regional e de controlo de terras raras. Mette Frederiksen, uma social-democrata de esquerda do Partido Social Liberal (SD) lidera o governo desde meados de 2019, mas está espartilhada sob a necessidade de consensos no quadro de um executivo tripartido, formado pelo SD com o Partido Liberal, liderado pelo atual ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, e o Partido Moderado, centrista, liderado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Lokke Rasmussen, que ocupou anteriormente o cargo de primeiro-ministro.
As tensões provocadas pela investida norte-americana – cujos contornos estão longe de estar esclarecidos, mas vacilam entre a compra do território e uma aliança que coloque o poder na Gronelândia sob a alçada de Washington – levaram a primeira-ministra a optar pela dramatização do complexo dossiê. “Já não são os nossos aliados mais próximos”, disse Frederiksen, durante um debate televisivo frente ao ministro Troels Lund Poulsen, transformado em adversário eleitoral. E elegeu o Canadá como os ‘novos amigos’ do país escandinavo.
Mas as sondagens indicam que a estratégia está a sortir pouco efeito. De facto, o ‘seu’ SD agrega intenções de voto que lhe conferem uma posição de 20% - abaixo do pico 23% que assegurava há 12 meses atrás, se bem que um pouco melhor que os 18% registados em dezembro. A única vantagem é que os seus concorrentes diretos não estão a conseguir melhor performance.
De facto, o Partido Popular Socialista (que apoia o governo) segue em segundo lugar com 13% das intenções de voto, face aos 14% de há um ano e abaixo do pico de dezembro, 15%. A Aliança Liberal segue há 12 meses no estreito ‘corredor’ entre os 12% e os 11%, não conseguindo ‘descolar’ do terceiro lugar – por vezes ameaçado pela direita popular e nacionalista do Venstre e mesmo pela extrema-direita pelo Partido Popular da Dinamarca.
Mas a tónica principal das sondagens é mesmo a estabilidade das intenções de voto a 12 meses – o que indica que a distribuição parlamentar (de 179 lugares) deverá manter-se muito idêntica à atual: a primeira-ministra assegura 48 lugares, o bloco que a apoia soma no total 94 lugares e a direita do Partido Liberal da Dinamarca, o Venstre, lidera a oposição com 42 lugares.
Recorde-se que os dinamarqueses elegem 175 deputados, sendo os restantes quatro divididos entre os deputados dos dois territórios autónomos do reino da Dinamarca, a Gronelândia e as Ilhas Faroé. A esquerda destes territórios, que elegeu um deputado por cada um deles, faz parte do bloco que apoia a atual primeira-ministra.

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