A proposta de lei do Governo para alterar o novo regime de arrendamento urbano foi aprovada na sua generalidade no parlamento na quarta-feira, 30 de setembro, depois de um acordo entre o Governo e o Chega para negociarem “melhorias” na especialidade.
O documento foi aprovado na generalidade com os votos favoráveis do PSD, IL, CDS-PP, a abstenção do Chega e contra do PS, Livre, PCP, PAN, JPP e BE.
O acordo foi assinado entre o presidente do Chega, André Ventura e o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, com os sociais-democratas a comprometerem-se formalmente a levar a cabo quatro alterações.
A primeira passa por colocar no diploma “a limitação da exigência de pagamentos antecipados e cauções, face à extensão proposta pelo Governo”.
Outra alteração passa por “proteger os idosos, especialmente os mais carenciados, com contratos anteriores a 1990 e com regime de compensação de senhorios”.
O PSD compromete-se a, na especialidade, a “aprofundar a resposta social ao inquilino e reforçar o fundo de emergência habitacional para salvaguarda do direito à habitação constitucionalmente previsto”, de forma a garantir que não haverá “uma política selvagem de despejos em Portugal”.
A última alteração contempla a garantia de que haverá uma “efetiva distinção de situações de abuso e incumprimento re terado e propositado”, em que o despejo tem de ser “rápido e eficaz”, das situações de “incapacidade real geradas por agravamentos extraordinariamente elevados das rendas”.
Durante o debate e em resposta à deputada do Chega, Marta Martins da Silva, a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, demonstrou disponibilidade do Governo para “limar e melhorar” o regime de arrendamento urbano no processo de especialidade no Parlamento, apontando “muitos pontos” de convergência com o Chega e disponibilidade para os articular.
Para o Governo, o aumento da construção de habitação pública e privada tem de ser acompanhado pela mobilização do parque habitacional existente, criando condições para que mais casas possam chegar ao mercado de arrendamento.
“A necessidade é muito clara: é imperativo aumentar a oferta de casas em Portugal”, referiu Patrícia Gonçalves Costa.
Ainda antes do acordo assinado André Ventura tinha criticado a opção do Governo de avançar com uma autorização legislativa na área da habitação, em vez de apresentar um pacote legislativo completo.
Ventura defendeu que a evolução do mercado deve ser analisada tendo em conta o aumento da procura e os seus efeitos sobre os preços. afirmando que “o abrir das portas a toda a gente provocou um brutal aumento de procura na habitação”.
Depois de anunciar na véspera que votaria contra a proposta do Governo para o Novo Regime de Arrendamento Urbano, o líder da bancada parlamentar do Partido Socialista, Eurico Brilhante Dias, considerou que ”este deve ser o Governo mais inseguro da República Portuguesa desde o 25 de Abril. 43 autorizações legislativas, umas depois das outras”.
Durante o debate o socialista recordou que em dois anos e meio o Governo da AD apresentou praticamente o mesmo número de autorizações legislativas que os governos do PS durante oito anos, questionando o porquê do atual Governo “fugir do Parlamento e não quer discutir a política de arrendamento no parlamento.
Governo e Chega negoceiam Lei do Arrendamento
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Contratos mais flexíveis e despejos mais céleres são algumas das medidas incluídas para alterar o regime do arrendamento urbano.