O Golfo Pérsico deverá regressar às exportações de petróleo aos níveis pré-guerra até ao final de julho. Esta é a previsão feita pelo Goldman Sachs (GS), caso o acordo de paz seja assinado esta semana entre os EUA e o Irão e o estreito de Ormuz seja reaberto à navegação.
O banco norte-americano chegou a prever que os níveis normalizassem mais tarde, em agosto, mas antecipou a meta, avisando, contudo, que existem, obviamente, riscos à sua previsão, dado os recuos e avanços nas negociações ao longo dos últimos meses.
Neste momento, estão a sair 11 milhões de barris diariamente do Golfo Pérsico, dado o alívio gradual nas restrições à navegação. Ao mesmo tempo, os produtores usam pipelines ou o transporte rodoviário para conseguir exportar sem recorrer ao estreito de Ormuz.
Os analistas destacam que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos vão conseguir aumentar a produção rapidamente dada a forte procura provocada por baixos stocks na Europa, Ásia e América, segundo a nota do GS citada pela "Morningstar".
O petróleo estava a cair mais de 5% para os 78 dólares na tarde de terça-feira, a afastar-se dos 100 dólares por barril atingidos durante a guerra.
Neste momento, existem 118 petroleiros encurralados dentro do estreito de Ormuz, que podem partir no espaço de 10-15 dias, com as entregas a aumentarem sem um aumento real de produção, segundo a Kpler.
O acordo de paz chega num momento crucial para os EUA, pois o país atingiu o seu nível mais baixo de inventários de petróleo desde 1983.
Entre os riscos identificados pelo GS estão a aversão ao risco dos armadores e seguradoras que podem limitar as exportações e a produção.
A limpeza do estreito de minas é outra das questões, podendo demorar algum tempo.... isto se as negociações não forem abortadas novamente.
Os maiores importadores mundiais de petróleo deverão adotar uma postura comercial de compras para voltar a acumular stocks relevantes.
No seu pior cenário, do estreito continuar fechado, o petróleo poderá atingir os 130 dólares por barril até ao final de 2026, atingindo 105 dólares em 2027.
O Goldman Sachs reviu em baixa o preço do barril de Brent para o final de 2026: de 90 dólares para 80%, menos 11%. Cortou também a previsão para 2027: de 80 dólares para 75 dólares, menos 6%.
Já o Morgan Stanley espera que demore um pouco mais de tempo até a produção voltar aos níveis pré-guerra.
"Ainda muito está a ser negociado e permanecem os riscos principais, mas por agora, isto é um passo essencial para atingir a redução de tensão do conflito e mais exportações de petróleo via estreito de Ormuz. Vemos a produção nos 50% em setembro e nos 80% em dezembro", segundo a nota citada pela "Bloomberg".
"Pensamos que vai demorar meses até chegar aos níveis próximos a 27 de fevereiro", isto é, os níveis pré-guerra, disseram, por sua vez, os analistas do RBC.
Já o Qatar planeia aumentar rapidamente a sua produção de gás após a reabertura do estreito de Ormuz, segundo a "Bloomberg". O objetivo é recuperar a maioria da sua produção (até 80% do nível pré-guerra) no espaço de dois meses.
A estatal QatarEnergy disse aos seus compradores que espera aumentar a produção no espaço de um mês, após a reabertura do estreito, com 80% no espaço de dois meses.
Os restantes 20% vão demorar anos a recuperar, devido aos ataques iranianos contra as infraestruturas energéticas qataris.
O Qatar fechou a maior estrutura de liquidificação de gás na primeira semana de guerra, após um ataque iraniano ao complexo de Ras Laffan, responsável por fornecer um quinto do consumo mundial antes da guerra.