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Cimeira do G7: Trump assegura que sanções à Rússia vão ser reativadas

O segundo dia da cimeira em Évian-les-Bains, França, ficou marcado pelo debate sobre a Ucrânia, que assim regressa ao topo de uma agenda que apenas há um par de dias arriscava só ter lugar para o Irão. O G7 também vai impor novas sanções a Moscovo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, no âmbito da cimeira do G7 que está a ter lugar em Évian-les-Bains, em França, que as sanções que os Estados Unidos aplicaram à Rússia e foram levantadas em março passado são para regressar. A decisão de suspender as sanções ficou a dever-se, disse na altura Donald Trump, ao facto de a guerra contra o Irão ter fechado o Estreito de Ormuz, pelo que era necessário procurar todo o petróleo que pudesse ser acrescentado ao mercado. A resposta dos países europeus – Ucrânia incluída, evidentemente – foi muito negativa: apesar de Trump assegurar que a suspensão era transitória, o facto de a ter decidido demonstrava, por um lado, que o tema da Ucrânia é apenas acessório na sua agenda e, por outro, que Washington não tinha a certeza que a guerra no Irão iria demorar tão pouco tempo quanto afirmava publicamente.

"Poderemos fazer isto porque o petróleo já está a fluir", disse Trump em Évien-les-Bains. "Retirámos as sanções porque, obviamente, não queremos impedir o fluxo de petróleo, mas agora estamos em condições das fazer regressar em breve." As três isenções consecutivas concedidas por Washington ao petróleo russo são, assim, para ser suprimida, só faltando perceber-se quando é que isso acontecerá.

Mas a questão das sanções não fica por aqui: os dirigentes das sete maiores economias do mundo concordaram na necessidade de aumentar a pressão sobre Moscovo para a levar à mesa das negociações – e, nesse contexto, a pressão poderá passar por novas medidas contra as exportações petrolíferas russas, uma vez reaberto o estreito de Ormuz. As medidas específicas não foram detalhadas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participou na reunião como convidado e ouviu dos líderes do G7 a reafirmação do apoio político e militar à Ucrânia. Trump felicitou Zelensky pela evolução recente do conflito, considerando que as forças ucranianas já não se encontram numa posição de recuo e que a atual dinâmica militar é mais favorável a Kiev. Essa mudança, diz o G7, reforça a posição negocial da Ucrânia e abre uma janela de esperança para que Vladimir Putin aceite finalmente abrir o diálogo entre as partes envolvidas e não apenas a países terceiros – como sucedeu com os Estados Unidos.

 

EU não acompanha os EUA no Irão

Apesar do foco na Ucrânia, o Irão manteve-se na agenda dos representantes das maiores economias do mundo, especialmente sensíveis ao tremendo aumento da energia que se verificou com a ação militar de Israel e que os Estados Unidos se viram obrigados a acompanhar. Trump avisou que a segunda fase do acordo – aquela que deverá começar em 60 dias – será fácil, e ameaçou Teerão com "consequências terríveis" se o Irão falhar as metas nucleares.

Entretanto, uma inesperada divisão entre os países europeus teve lugar em Évian-les-Bains. Vários países europeus como a Alemanha, França, Itália e Reino Unido, mostraram-se prontos para levantarem sanções ao Irão, mas a União Europeia não. Ursula von der Leyen avisou – mais papista que o Papa, como costuma dizer-se – que o alívio só acontece com mudanças reais de Teerão e comprovadas pelos observadores internacionais.

"Temos um quadro de sanções que responde a duas características principais: a primeira é a violação dos direitos humanos e a segunda são as armas de destruição maciça. O princípio das sanções é que precisamos de mudanças reais no terreno antes de podermos pensar em suspendê-las", disse a responsável pela Comissão. "As sanções existem para mudar comportamentos. Portanto, se o comportamento mudar de forma credível e verificável, então podemos levantar as sanções. Mas o contrário também é verdadeiro. Enquanto não houver uma mudança de comportamento, não podemos levantar as sanções devido à violação dos direitos humanos e às armas de destruição maciça", acrescentou, para espanto de vários analistas.

Na conferência de imprensa antes da reunião do G7 o presidente do Conselho Europeu saudou o acordo para um cessar-fogo no Médio Oriente. “Saúdo o acordo recentemente anunciado entre Washington e Teerão e espero que ponha fim a esta guerra custosa e permita o restabelecimento pleno da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e o respeito pleno e efetivo pela soberania do Líbano” disse António Costa – que assim se mostrou muito distante de von der Leyen. O facto de Costa ter referido implicitamente Israel não terá por certo agradado à germânica.

“A União Europeia está pronta para contribuir para o desenvolvimento de uma estratégia abrangente destinada a estabelecer uma paz duradoura no Médio Oriente”. Mas António Costa voltou a Israel: “a esperança que este acordo nos traz não deve obscurecer a dramática situação humanitária em Gaza e a grave preocupação com a expansão dos colonatos ilegais na Cisjordânia, ambas essenciais para uma paz justa e duradoura na região. “Precisamos de avançar no único caminho possível: a solução de dois Estados. Estou confiante de que as discussões que teremos aqui em Évian, sob a liderança do presidente Macron, nos permitirão avançar de forma decisiva nestas diversas questões”.