Kevin Warsh arrancou a sua presidência da Fed com uma série de alterações de fundo, anunciando cinco task-forces em áreas abrangentes, prevendo uma comunicação bastante distinta e esquivando-se a quaisquer comentários sobre o futuro ou a reação dos mercados. No final, parece ter mudado quase tudo, exceto os juros diretores da maior economia do mundo.
A decisão de junho deixa os juros de referência entre 3,5% e 3,75% pela quarta reunião consecutiva, mas, a julgar pelo ‘dot-plot’ atualizado das projeções dos membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC), a inclinação para cortar desapareceu e até se inverteu. aponta a uma mediana da taxa terminal para este ano em 3,8%, uma subida relevante em relação aos 3,4% antevistos no mais recente exercício de projeções, em março. Para 2027, a mediana ficou em 3,6%, ou seja, meio ponto percentual acima do esperado em março.
Ainda assim, Kevin Warsh não só não comentou possíveis cenários para a taxa terminal, como admitiu que não tinha submetido a sua, “de forma consistente com as minhas posições”.
“Sei que a mudança nunca é fácil”, afirmou, depois de sinalizar uma série de alterações à forma de funcionar da Fed. O novo presidente está a formar cinco task-forces para reformular o banco central: comunicação, balanço, dados e o seu uso, produtividade e trabalhos, e o enquadramento da inflação.
As alterações já tinham, de resto, começado. O comunicado que anunciou a decisão era “mais curto, mais simples e que dispensa alguma da linguagem antiga” e “focou-se unicamente nos factos”, explicou, em linha com a Fed “mais clara na sua missão, mais adequada no seu propósito e focada no futuro” que quer.
Warsh reforçou ainda a sua visão de que “a inflação é uma escolha” e garantiu que a irá combater, mas recusou dar forward guidance, ou seja, quaisquer sinais quanto às possíveis decisões futuras do banco central. Na mesma linha, o novo líder fala num compromisso “forte, unânime e claro” contra a pressão nos preços, “uma mensagem importante que acho que nos tem faltado nos últimos cinco anos e que vamos corrigir”.
Ainda no que respeita às projeções macro, do lado da atividade económica, a inflação foi alvo de uma forte revisão em alta, passando dos 2,7% previstos em março para 3,6%, mas a expectativa ainda é de um choque inflacionista de pouca duração, com o índice de gastos pessoais de consumo (PCE) a desacelerar para 2,3% no próximo ano.
Também a inflação subjacente foi atualizada em alta de 2,7% para 3,3%, antes de abrandar para 2,5%.
Já o crescimento para este ano foi revisto em baixa de 2,4% para 2,2%, embora a previsão para 2027 tenha sido mantida em 2,3%. Para 2028, a expectativa é de 2,2%, ou seja, 0,1 pontos percentuais (pp) acima do previsto em março.