Com 34 milhões de habitantes e voto obrigatório, o Peru elege este domingo um novo presidente no contexto de uma sociedade que sucumbiu ao crime organizado e à instabilidade política. O discurso extremado e radical da filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko Fujimori, está mais uma vez a despertar a adesão dos peruanos – colocando-a à frente nas sondagens. Desta vez, as eleições são também elas, de alguma forma, radicais: os eleitores votarão também para o Parlamento e para o Senado – voltando a uma solução política de duas câmaras que já não acontecia desde 1990. A tentativa é a de criar para um nível de controlo político, mas os analistas chamam a atenção para o facto de o fim do bicameralismo ter sido decidido exatamente para retirar camadas de ‘baixa política’ ao país. Não resultou – mas o regresso a uma solução que algures no tempo se mostrou ineficiente deixa antever o pior.
Como sucede há décadas, a insegurança das ruas é a principal preocupação dos peruanos, que assistem exangues e sem alternativa à evolução infame dos números: a taxa de homicídios passou de uma média de mil ao ano em 2018 para 2.600 em 2025 e as extorsões, um dos melhores negócios do país, dispararam de 3.200 para mais de 26.500 no mesmo período, segundo dados oficiais da polícia.
O negócio é de tal forma aliciante, que grupos criminosos estrangeiros competem com idênticos grupos peruanos por um lugar que lhes propicie receitas chorudas.
Incapazes de encontrar uma solução, passaram pela presidência, na última década, oito diferentes peruanos – todos eles mais tarde ou mais cedo arredados do poder pelos motivos mais diversos, mas sempre num quadro de acusações de corrupção ou de ligação a grupos criminosos.
Famíla Fujimori tenta pela quarta vez regressar ao poder no Peru
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Presidenciais : É a quarta vez que Keiko Fujimori tenta ser eleita para o cargo que o pai, um facínora reconhecido, chegou a ocupar. Segue à frente nas sondagens para a primeira volta. Mas isso também já aconteceu em 2021.