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Fábrica da BYD é "um excelente investimento" para Portugal

A fabricante chinesa está à procura de uma localização para uma nova fábrica na Europa e o país reúne várias mais-valias para um investimento deste calibre. Vários países estão na corrida e a decisão final vai ser tomada pela sede em Shenzen. BYD continua a bater recordes de vendas em Portugal e quer destronar a Tesla.

A BYD continua a bater recordes em Portugal e já ambiciona a liderança do mercado de veículos eletrificados em Portugal.

As vendas da companhia dispararam 90% nos primeiros 11 meses do ano, ocupando a segunda posição do mercado de veículos elétricos, com quase 4.500 unidades vendidas. A liderança continua a pertencer à Tesla com quase 6.400 unidades, com um recuo de 24%.

A Tesla dominou o mercado em 2024 com uma quota de 23%, mas este ano caiu para os 14%. A segunda posição é da BYD com 10%, com a BMW a fechar o pódio com 9%, segundo os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

"Ambicionamos a lideranças dos elétricos e híbridos plug-ins. Queremos assumir a liderança no somatórios das duas tecnologias. Mas a ambição é chegar a líder do mercado total. Em termos europeus, Portugal está na segunda posição em quota de mercado", disse o líder nacional da BYD ao JE.

"Não olhamos só para a Tesla, olhamos para todo o ranking nacional. No próximo ano, a ideia é subir nos rankings, mais do que a Tesla em si, que é relevante, mas que só tem elétricos", segundo Pedro Cordeiro que destaca que a marca atingiu a nova posição de vendas em Portugal em novembro, incluindo todas as motorizações. "Queremos estar no Top 10 até ao final do ano", ocupando a 16.ª posição nos primeiros 11 meses.

A marca sofreu com as tarifas impostas pela UE, mas "ainda assim" conseguiu ser "competitiva".

Além do mais, a companhia chinesa prevê abrir a segunda fábrica europeia até ao final deste ano, na Hungria, com as primeiras unidades a sair para o mercado em 2026. "A Hungria está na fase final e há estudos para uma terceira fábrica. A BYD quer continuar a acelerar bastante, com presença significativa nos grandes mercados".

O responsável aponta que o segredo da marca têm sido os híbridos plug-in, que não estão sujeitos às tarifas europeias, e que contam com autonomias elétricas de 100km. "É uma forma de transição com preços mais convidativos, mais competitivos, face aos elétricos". Os elétricos e híbridos já pesam um terço do mercado, "mas isto vai continuar a acelerar".

Questionado sobre se um investimento industrial da BYD seria bom para o país, Pedro Cordeiro considera que uma nova fábrica automóvel em Portugal, de qualquer marca, será sempre um "excelente investimento para o país".

A BYD está à procura de um país para instalar uma terceira fábrica na Europa, que se vai juntar à Turquia e Hungria.

"Temos alguns atrativos que nos beneficiam: mão-de-obra qualificada, a preço competitivo face ao centro da Europa; temos o lítio, com uma fábrica projetada para Sines [dos chineses da CALB, um investimento de dois mil milhões de euros]; temos estabilidade; o país está super-bem posicionado [geograficamente]; temos alguns atrativos financeiros [incentivos]; existe um ecossistema verde", acrescentou.

Pedro Cordeiro revelou em novembro que a companhia estava a estudar Portugal, entre outros países, conforme noticiou o "Eco". Questionado se já havia alguma data para a BYD anunciar a sua decisão, ou alguma novidade, o responsável não quis fazer mais comentários sobre o tema.

E também destacou algumas das "desvantagens" do país, incluindo a "burocracia".

"Temos vindo a evoluir. Estamos a vender-nos um bocadinho melhor. Portugal pode e deve estar atento para tentar captar investimento", defendeu o líder nacional da BYD.

Em outubro, a "Reuters" avançou que a companhia chinesa considerava que Espanha era a melhor localização na Europa para a terceira fábrica, com a agência a apontar que uma decisão devia ser tomada até ao final do ano.

Sobre a decisão de Bruxelas de alterar as metas para os carros elétricos, o gestor aponta que "a preocupação da indústria europeia era legítima" e que era preciso "ajustar a velocidade da transição"

"Temos que estar alinhados, uniformizados. Isto não é travar, não é tirar o pé do acelerador, mas veio ajustar a velocidade da transição", afirmou.

"A rede de carregamentos tem que continuar a aumentar. Vai continuar a haver um crescimento. Os países devem continuar a incentivar a transição. Vejam isto como uma inevitabilidade", acrescentou.

São concessões de médio prazo, de dilatar ligeiramente estes prazos, mas não me parece que seja drástico. Pode ter efeito contrário, algumas OEMs [marcas automóveis originais] podem relaxar, espero que não o façam", concluiu.