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Estreito de Ormuz domina negociações entre Irão e EUA

Numa conversa onde a ausência de Israel é uma novidade muito preocupante, Donald Trump tem um tempo limitado a novembro, mas o Irão tem todo o tempo do mundo. Ou quase.

O acordo entre os Estados Unidos e o Irão assinado em 2015 pelo então presidente Barack Obama demorou 20 meses a ser negociado. O acordo que começa nesta sexta-feira, 19 de junho, a ser discutido na especialidade em Burgenstock, Suíça, tem um tempo de negociação previsto de dois meses – e Donald Trump, o presidente norte-americano, trabalha sob a obrigação de, no máximo, o ter fechado em quatro meses, a tempo de exercer influência positiva nas eleições intercalares de novembro que vem. Ou seja, o tempo corre a favor do Irão. Neste quadro, o que é essencial para os Estados Unidos, mas não para o Irão, é que seja encontrada rapidamente uma solução estável para o estreito de Ormuz: o seu eventual re-encerramento iria exercer mais pressão sobre a inflação norte-americana (recorde-se que a Reserva Federal não mexeu nas taxas de juro, contrariando a vontade da Casa Branca), que é tudo o Trump não quer para novembro.
Resta ao lado norte-americano pagar para que isso não aconteça – e o pacote é, para os analistas, extremamente generoso: descongelamento dos ativos iranianos estacionados fora das suas fronteiras, levantamento das sanções (as dos EUA e as do G7) e um envelope de 300 mil milhões de dólares para reparações. Para mais tarde ficará, portanto, a questão nuclear, muito mais difícil de dirimir em sede de negociações dada a imensidade de detalhes que a acompanham – essa que era, afinal, a razão que levou às ações militares iniciadas no pretérito dia 28 de fevereiro. Persiste ainda uma dúvida: vão os Estados Unidos aceitar – como os iranianos dizem que já o fez – a gestão do Estreito por parte do Irão e de Omã? Alguns analistas admitem que Trump aceitará esta gestão de forma temporária, com a ‘desculpa’ de que o Irão tem direito a financiar a destruição de que foi alvo. Mas o certo é que a passagem livre por Ormuz não mais deixará de ser uma recordação dos bons tempos, que acabaram a 28 de fevereiro.

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