A Orsted afundou hoje 19% em bolsa, atingindo novos mínimos, após Donald Trump ter cancelado a construção de uma central eólica offshore.
As ações da companhia dinamarquesa já afundaram quase 50% este ano, desvalorizando em 8 mil milhões de dólares.
A central é a Revolution Wind, localizada ao largo do estado de Rhode Island, na costa leste do país, um investimento de 4 mil milhões de dólares.
O Bureau of Ocean Energy Management ordenou a suspensão devido a temas relacionados com a segurança nacional.
Esta é mais uma ação da Casa Branca contra as centrais eólicas offshore, que o presidente tem criticado publicamente, incluindo o fim de créditos fiscais e a atribuição de licenças.
"Estamos a avaliar todas as opções para resolver a questão em diálogo com as agências de licenciamento e através de procedimentos legais, com o objetivo de avançar o mais rapidamente possível", disse a empresa citada pela Bloomberg.
São más notícias para a Orsted, que viu o seu rating de crédito ser cortado para o mais baixo dentro da classe de investimento.
A energética garante que vai avançar com uma emissão de direitos para reforçar a sua estrutura de capital e prosseguir com o seu plano de negócio.
Detida em 50,1% pelo Estado dinamarquês, o acionista público garante que vai avançar com o aumento de capital planeado, prevendo comprar metade das obrigações, na que seria a maior venda de ações no setor energético europeu no espaço de uma década. E isto num momento em que os partidos da oposição defendem a venda da participação pública.
A procura por financiamento acontece depois de ter falhado a venda de uma participação noutro projeto nos EUA, o Sunrise Wind Project, devido à incerteza provocada por Trump no setor.
A Orsted é um dos maiores promotores europeus de eólica offshore, mas a sua entrada no mercado norte-americano tem corrido mal, com o cancelamento de dois projetos no país, devido a problemas na cadeia de abastecimento.
Donald Trump suspendeu a construção de outra central offshore da norueguesa Equinor, mas a decisão foi revertida após um acordo com o governo estadual de Nova Iorque, que permitiu, em troca, a construção de novos gasodutos no estado. A expetativa da Orsted é que os governadores do Connecticut e de Rhode Island consigam dar a volta à situação.