Em fevereiro de 2024 o grupo Lusíadas Saúde lançou a marca de clínicas dentárias HeyDoc, que resultou da aquisição das antigas clínicas Dr.Wells à Sonae MC. Passados dois anos, já são mais de 30 as clínicas pelo país, tendo já tratado mais de 170 mil pessoas. A nível de volume de negócios, em dois anos estas clínicas superaram os 50 milhões de euros.
Ao jornal Económico, André Pinto, CEO da HeyDoc, afirma que esta foi uma aposta “claramente ganha por parte do grupo Lusíadas Saúde”. Apesar de estar no cargo há apenas quatro meses, o percurso de André Pinto no grupo Lusíadas já conta com diversos cargos, tendo sido responsável por toda a área hospitalar da zona sul, passou pela administração do hospital Lusíadas Amadora e foi responsável pela criação do grupo dos Clusters Clínicos na região de Lisboa.
Na sua opinião este cargo traz outros desafios. “Enquanto num hospital temos uma só localização com multi especialidades, aqui temos uma só especialidade espalhada por 31 clínicas diferentes no país”, refere.
Em dois anos já foram alguns os desafios com que a marca se deparou. Apesar das clínicas já existirem, houve um rebranding, uma direção e uma gestão nova. O CEO considera que a integração foi o principal desafio. Depois de ultrapassado esta desafio, a marca enfrentou os próprios desafios da medicina dentária. “Estamos num mercado de enorme dimensão, mas que se encontra muito espartilhado, ou seja, os principais players têm pouca quota de mercado”, explica.
A marca ainda não entrou para o top3 de principais players neste mercado, contudo é uma das suas ambições, sendo esta um dos desafios que enfrenta no futuro. Para tal, a marca tem em vista projetos como o lançamento de uma oferta de medicina dentária 24 horas, na zona de Lisboa e Porto (prevista ainda para o primeiro semestre deste ano) e o lançamento de um projeto, ainda sem nome definido, focado em odontopediatria, uma especialidade dedicada à saúde oral de bebés, crianças e adolescentes.
“Se conseguirmos prestar um serviço de qualidade aos nossos clientes, se formos acessíveis quer financeiramente, quer geograficamente, e se nos virem como clínicas de excelência onde prestamos bons cuidados de saúde, não tenho dúvidas nenhumas que conseguiremos atingir os nossos objetivos”, declara.
Na opinião de André Pinto este objetivo deverá ser conseguido já este ano, contudo há fatores externo que podem influenciar. Mas da parte da marca há a garantia de que vai continuar a “qualidade clínica de excelência, a atenção do cliente e o atendimento personalizado”.
Atingir este pódio é um dos objetivos da marca, que tem vindo a trabalhar nesse sentido. A aquisição, passado um ano do lançamento da HeyDoc, da MD Clínica, que conta com um laboratório, o MD Lab, foi um dos passos que o grupo Lusíadas deu no sentido de reforço na sua oferta em saúde oral.
O MD Lab é um dos grandes destaques da marca, uma vez que é um dos maiores laboratórios de produção de próteses dentárias do país, e produz para toda a rede de clínicas HeyDoc. “Fizemos uma enorme aposta em tecnologia, design digital, em moldes, em máquinas de última geração, para dar uma resposta às nossas clínicas e apoiá-las a prestar um serviço de excelência aos nossos clientes finais”, afirma.
Para este ano, além de ter como objetivo o pódio, também pretende chegar aos 100 mil clientes e a nível de faturação pretende chegar a um valor superior a 40 milhões de euros, entre HeyDoc e MD.
Com presença de norte a sul do país, mas com predominância na zona Norte e de Lisboa, a marca mantém o objetivo de se expandir, continuando a “avaliar potenciais aquisições”, refere o CEO, “se as clínicas avaliadas se encontrarem dentro da nossa filosofia, quer em termos de geografia, quer em termos de sustentabilidade financeira, teremos todo o interesse em fazer essa avaliação e de continuar o processo de expansão que tivemos até agora”. “Naturalmente que estamos permanentemente abertos e atentos a possíveis novos negócios”, avança.
Saúde oral em Portugal ainda fica para segundo plano
O mais recente barómetro da Ordem dos Dentistas, de 2025, mostra que quase 2/3 da população (64,6%) não têm a dentição completa e quase um terço não foram ao médico dentista no último ano.
Entre as razões dadas para não realizarem esta consulta estão o não necessitar de ir ao dentista, o não ter dinheiro, não ter problemas com os dentes, ter medo, não ter tempo e não querer gastar dinheiro no médico dentista.
“Enquanto empresa procuramos endereçar estas preocupações”, revela André Pinto, “por um lado temos uma rede dispersa por todo o país, e com isto eliminados a dificuldade na barreira geográfica, mas por outro, também prestando acessibilidade, quebrando a barreira financeira”.
Na opinião do CEO esta barreira pode ser quebrada de duas maneiras, “temos convenções com a maior parte dos seguros existentes e dos subsistemas existentes em Portugal, e por outro lado, temos o nosso próprio cartão, o nosso próprio modelo de acesso que prevê o acesso a uma tabela de valor mais reduzido”, para além destas duas vertentes, a marca permite que os seus médicos dentistas aceitem pacientes vindos do público através do cheque-dentista.
Não havendo esta oferta no público, a HeyDoc mostrasse disponível “para colaborar, sempre que possível, com as entidades públicas”, sublinha.
Grupo Lusíadas vai apostar no apoio domiciliário
A aposta na saúde oral por parte do grupo Lusíadas resulta da sua visão de uma medicina 3.0, um modelo focado na longevidade, prevenção proativa e personalização.
Esta aposta “integra uma visão holística da saúde por parte do grupo, o de não tratar apenas a doença, mas cuidar sobretudo a saúde”, explica, “a nossa missão principal, neste momento, é cuidar da saúde”.
Com este mote o grupo Lusíadas vai lançar uma nova marca, que visa ser uma solução de apoio domiciliário e que “vai complementar toda esta vertente da saúde holística saúde”.
Modelo de governação ‘Terceira Via’
No ano passado o grupo Lusíadas convidou os seus médicos, tanto dos hospitais como da HeyDoc, a tornarem-se acionistas do grupo, através de uma oferta privada de subscrição de ações. Este é um modelo que já está implementado no grupo francês Vivalto Santé, que adquiriu o grupo Lusíadas em 2023.
“Nós neste momento temos médicos que são acionistas da nossa organização e que têm presença nas decisões estratégicas do grupo”, explica André Pinto, referindo que “isto nos diferencia”, uma vez que são únicos no mercado com este modelo.
“Acreditamos no nosso corpo clínico, e queremos que ele nos apoie nas decisões de gestão, e que em conjunto tomemos as melhores decisões”, declara.