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Economia azul europeia ainda enfrenta obstáculos

A economia azul está a ganhar relevância, mas continua travada devido ao financiamento desajustado às startups e projetos intermédios, à fragmentação regulatória e falta de competências para execução.

A economia azul europeia está a ganhar tração junto de investidores e políticas públicas, mas continua a enfrentar um conjunto de fricções estruturais que limitam a sua escala: desde a dificuldade em financiar startups e projetos de menor dimensão, à complexidade regulatória nos diferentes Estados-membros, passando pela falta de competências técnicas e de gestão para executar projetos.
Assunção Cristas, partner na Vieira de Almeida, destacou os desafios regulatórios associados a um setor em rápida evolução, sublinhando que a legislação, apesar de sofisticada em países como Portugal, nem sempre acompanha a inovação. A aplicação do enquadramento jurídico exige interpretação, flexibilidade e, muitas vezes, coragem institucional para avançar em áreas onde a realidade precede a norma. Acrescem ainda os tempos de decisão e a burocracia, particularmente sensíveis quando se trata de domínio público marítimo.
Do lado do investimento, Rita Branco, partner da 3XP, reconheceu o potencial da economia azul no universo dos fundos de impacto, mas apontou um problema estrutural: “muitas startups e scale-ups não chegam aos investidores. Soma-se a isto o desfasamento entre os ciclos de investimento — frequentemente de seis anos — e a maturação prolongada dos projetos ligados ao mar, dificultando o encaixe entre capital e execução”.
Já Christina Deligianni, CEO da Verimpact e policy director no ISD-EPLO, chamou a atenção para um gap crítico no financiamento: entre grandes projetos de infraestrutura, que absorvem capital significativo, e startups que necessitam de tickets inferiores a um milhão de euros. Nesse espaço intermédio, defende, o capital público e mecanismos híbridos devem desempenhar um papel de orientação e alavancagem do investimento privado.
Já João Fonseca Santos, diretor do Banco Europeu de Investimento em Portugal, sublinhou a dimensão das competências como fator limitador. Além de engenheiros e especialistas qualificados, faltam equipas capazes de estruturar, gerir e executar projetos complexos no setor do mar, especialmente em pequenas e médias organizações. Sem essa capacidade organizativa, muitos projetos não passam da fase de planeamento.
O debate reforçou ainda a ideia de fragmentação europeia, com diferenças relevantes entre Estados-membros na maturidade regulatória e na capacidade de atrair investimento. Apesar dos esforços de harmonização e de propostas como regimes europeus mais integrados, subsiste uma realidade de assimetria que condiciona decisões de capital.

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