Sim, olhar o futuro importa. Mas antes de planear viagens, shots de oxigénio ou interlúdios natalícios, e de apressar a chegada de 2026, dezembro ainda promete uma boa oferta cultural. E música, muita música. Para desfrutar durante a quadra festiva que se aproxima a passos largos.
Na Casa da Música, no Porto, Léo Warynski dirige o Coro num programa entre o tropical e o temperado, com obras que ilustram a diversidade do repertório coral. O maestro chinês Lio Kuokman estreia-se a dirigir a Orquestra Sinfónica e propõe-nos “fantasia” com O Quebra-Nozes e as aventuras do mágico aprendiz mais célebre do mundo, na ilustração musical de John Williams para o filme “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. E para fechar este cardápio, a Orquestra Barroca juntar-se-á ao Coro Casa da Música e ao Coro Infantil para interpretar o Magnificat de Telemann.
Em Lisboa, Filipe Faria dirige o ciclo Música nas Igrejas, que decorre de 5 a 14 de dezembro, com entrada gratuita. A Igreja de São Vicente de Fora recebe o grupo Concerto Campestre, dia 5, às 21h; na Igreja de Santa Isabel, apresenta-se o projeto Sete Lágrimas (7, 17h); a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes acolhe o grupo Altos do Bairro e o Coro Alto (12, 21h); e o Coro de Câmara do Instituto Gregoriano de Lisboa encerra o ciclo na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Luz, dia 14, às 17h.
A 21 de dezembro, sobe ao palco do CCB, em Lisboa, a Missa, op. 20 de Amilcare Ponchielli, um exemplo marcante do repertório sacro italiano do século XIX. Será interpretada pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direção musical de Antonio Pirolli, e pelo Coro do Teatro Nacional de São Carlos, dirigido por Giampaolo Vessella.
Destaque para dois momentos do XXI Ciclo de Concertos “Música no Inverno”, a decorrer no Convento dos Remédios, em Évora. A 7 de dezembro, às 18h, o João Roiz Ensemble interpreta “Peregrinação Beethoven 2025-2027” e a 13 de dezembro, à mesma hora, a pianista Joana Gama regressa à obra do compositor francês Erik Satie, com “Le fils des étoiles”, uma peça para piano em três atos,
De novo em Lisboa, a Orquestra e Coro Gulbenkian – aqui dirigido pela nova Maestra Titular, Martina Batič – irão interpretar uma das grandes obras-primas corais do período Barroco, Oratória de Natal, de Johann Sebastian Bach, que é também uma das mais monumentais criações do compositor.
A Torre Eiffel ainda não existia ali ao lado quando, em 1867, Johann Strauss Júnior e a sua orquestra tocaram a versão instrumental da valsa O Belo Danúbio Azul na Exposição Universal de Paris diante de corpos diplomáticos de todo o mundo. Falamos no Concerto de Ano Novo, interpretado pela OML - Orquestra Metropolitana de Lisboa, a que se juntam as vibrações de Khachaturian, Tchaikovsky, Freitas Branco e Falla para brindar a 2026. Vem aí um novo ciclo, porque não recebê-lo também com valsas e polcas?
A OML atua a 1, 2 e 3 de janeiro em Lisboa, Setúbal e Almada.
De olhos postos em 2026
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Éuma verdade incontestável. 2026 está ao virar da página. Mas dezembro pode ser um elixir de música no retângulo lusitano. Das salas habituais às igrejas e conventos, fique atento à ‘banda sonora’ da época festiva que aí vem.