O setor da construção está "mobilizado" para recuperar as casas e empresas afetadas pela tempestade Kristin que tem assolado Portugal nos últimos dias. Em resposta ao Jornal Económico, a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas Nacional (AICCOPN), considera que numa primeira fase é "urgente assegurar imediatamente as intervenções nas habitações e nas empresas afetadas", nomeadamente as obras em telhados e coberturas, de modo a "restabelecer condições de segurança e dignidade à população", para que dessa forma seja possível assegurar o regresso ao normal funcionamento das unidades fabris e serviços, podendo as empresas retomar a sua atividade e as pessoas regressar aos seus postos de trabalho.
A entidade liderada por Manuel Reis Campos aponta posteriormente para uma segunda fase, onde devem ser feitas intervenções de fundo que resolvam estragos maiores, tendo em vista "a reposição total da normalidade".
Na segunda-feira, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, disse que as empresas construtoras vão concentrar na região Centro trabalhadores que estavam noutros locais do país, para reconstrução das zonas afetadas pelo mau tempo.
"Já há escassez de mão de obra na área da construção civil no país inteiro. Apesar disso, eu acho que todo o país se sente solidário com o que está aqui a acontecer e, portanto, as grandes empresas de construção civil que aqui estiveram hoje mostraram essa disponibilidade para trazer trabalhadores que estavam a trabalhar noutras regiões e que vão ser concentrados aqui na região Centro”, afirmou aos jornalistas Castro Almeida.
Questionado sobre o tempo que vai demorar para reerguer a região Centro, Castro Almeida respondeu “muitos e muitos meses de trabalho, porque há estruturas que ficaram quase completamente destruídas”. “É como construir de novo”, declarou, reiterando que os prejuízos serão superiores a dois mil milhões de euros.
A AICCOPN reitera que estão convocadas pequenas, médias e grandes empresas da construção, mas salienta que "não é possível quantificar quantas empresas e quantos trabalhadores serão mobilizados", dado que o setor aguarda as indicações da Estrutura de Missão, responsável por coordenar estas operações de reconstrução no terreno, numa articulação que "será feita em estreita colaboração e à medida das necessidades que vão sendo identificadas".
Sobre se este cenário poderá impactar o calendário de obras públicas inseridas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Reis Campos defende que nesta altura essa questão não é determinante. Atendendo à situação de calamidade, importa resolver os problemas urgentes das pessoas afetadas", afirma.
No entanto, sublinha que não convém prejudicar os prazos que se encontram estabelecidos, assumindo que a AICCOPN "está confiante de que estas intervenções não irão colidir com a agenda do PRR".
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.