A agricultura portuguesa está a mudar: há menos explorações, unidades maiores e mais especializadas, mas também uma crescente dependência externa e desafios estruturais que ameaçam a sua resiliência. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) mostram um setor em profunda transformação.
Entre 2019 e 2023, o número de explorações agrícolas caiu quase 10%, segundo o INE, para 240 mil. As pequenas unidades até cinco hectares sofreram a maior perda, diminuindo 12,4%. A superfície total das explorações recuou 2,7%, enquanto a Superfície Agrícola Utilizada (SAU) caiu 2,6%, para 3,861 milhões de hectares, representando 42% da superfície territorial nacional.
As terras aráveis foram as mais penalizadas, com um colapso de 18,9%, e as hortas familiares diminuíram 11,6%. Em contraciclo, as culturas permanentes — olival, vinha, frutos e frutos secos — cresceram 4,4%. Já as temporárias sofreram uma das reduções mais expressivas: menos 11,7% em quatro anos. Produtos como batata (-23,5%) e prados temporários (-51%) tiveram quebras acentuadas, enquanto algumas culturas — como leguminosas secas (+35,3%) e flores e plantas ornamentais (+40,3%) — registaram crescimento.
O setor agrícola enfrenta também uma evolução demográfica preocupante. Dados do INE revelam que o número de produtores caiu 11,9%, e o envelhecimento tornou-se estrutural: 56% têm mais de 65 anos e apenas 7,8% têm entre 15 e 45 anos, colocando Portugal como um dos países que apresenta uma das menores proporções de jovens agricultores (1,9% com menos de 35 anos). A população agrícola é composta por 67% de homens e 33% de mulheres. A mão de obra familiar diminuiu 7,3%, enquanto a contratada aumentou 15,5%, refletindo uma crescente dependência de trabalho externo. Quanto à escolaridade, 69,3% possuem ensino básico e 10,8% ensino superior.
Para ajudar neste tema, o Crédito Agrícola há doze anos que promove o Prémio Empreendedorismo e Inovação - “Ganhar o Futuro”, onde reconhece e apoia projetos nacionais de excelência com inovação e impacto positivo nos setores agrícola, agroalimentar e florestal. Também criaram o Apoio a Mulheres Empreendedoras do Mundo Rural com a iniciativa “Guardiãs da Natureza”. Desenvolvam projetos de protecção e restauração de ecossistemas e promovem ainda formação em agricultura regenerativa e um Programa de Aceleração que incluiu turismo rural e o CA Agro Transição, capacitando produtores e técnicos de organização de agricultores sobre técnicas de produção agrícola sustentáveis, resilientes e inovadores. O investimento em 2025 até à data ronda os 500 mil euros. Quanto à percentagem de crédito ao investimento para o setor agrícola cifrou-se nos 9%.
A nova agricultura: mais tecnologia, menos terra
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Retrato do setor: Portugal perdeu 10% das explorações agrícolas e apesar dos avanços tecnológicos e maior especialização, a atividade precisa de rejuvenescer.