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Zug: pequena cidade suíça atrai milionários que fogem à guerra no Médio Oriente

Esta pequena cidade suíça, com 135 mil habitantes a 30 quilómetros de Zurique, acolhe indivíduos e empresas que procuram refúgio da guerra no Médio Oriente.

Em busca de um refúgio contra o conflito no Golfo, muito expatriados do Golfo estão a concentrar-se em Zug — um pitoresco cantão suíço, mais conhecido por comerciantes de commodities e empresas de criptomoedas.

Entre os expatriados estão pessoas com muita riqueza, family ofices e empresas, confirmou o diretor financeiro de Zug, Heinz Tännler, ao Financial Times. “Estamos a assistir a um aumento das consultas. É claro que lamentamos as circunstâncias, mas a realidade é que Zug está a beneficiar”, acrescentou.

Gestores de fortunas e banqueiros dizem que os clientes baseados no Dubai, muitos deles a trabalhar em commodities e finanças, estão à procura de uma base europeia estável. “Todos conhecem Zug, mesmo que nunca tenham estado lá”, disse Pierre Gabris, fundador e CEO da gestora suíça de fortunas Alpen Partners, que ajudou vários clientes a mudar-se do Médio Oriente.

Um banqueiro suíço, que possui escritório em Zug, confirmou à publicação britânica que o número de currículos enviados à instituição “quadruplicou” desde o início da guerra. Contudo, salienta o Financial Times, apesar da procura por Zug ter aumentado, quem quer mudar-se para este cantão suíço encontra como principal obstáculo a habitação. Isto porque a oferta de imóveis para arrendamento é limitada.

Para os que residem fora da União Europeia a tarefa torna-se mais difícil porque a aquisição de habitação está geralmente ligada a emprego, criação de empresa ou, para os muito ricos, a acordos fiscais negociados com as autoridades. “Não se pode simplesmente aparecer, mesmo com passaporte europeu. Leva tempo e é preciso um contrato de trabalho ou criar uma empresa”, disse Anja Beck, sócia-gerente de um escritório imobiliário da Engel & Völkers em Zug.

Com a disponibilidade a diminuir, outros cantões com regimes fiscais flexíveis começam a beneficiar, como é o caso de Lugano, no sul da Suíça. “Desde o início da guerra, notámos procura de estrangeiros que vivem no Dubai — italianos, franceses, suíços, britânicos”, disse Simon Incir, da Engel & Völkers. “Agora estão a considerar mudar-se [do Dubai].”

Ao contrário de Zug, Lugano ainda tem capacidade. “Temos muito mais oferta — cerca de 300 imóveis no mercado”, disse Incir, acrescentando que residentes estrangeiros podem negociar acordos fiscais de montante fixo e obter autorizações de residência relativamente rápido.

“Isto é apenas a fase inicial. As pessoas estão a pedir informações, a marcar visitas — esperamos mais.”