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Visita de Donald Trump a Pequim sob o signo do Irão

Presidente norte-americano pressionará o seu homólogo chinês, Xi Jinping, a propósito do Irão, país com que o Império do Meio mantém boas relações. No falhanço das negociações enquadra a visita, marcada igualmente pelos desentendimentos comerciais.

A primeira viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, a primeira desde o seu regresso à Casa Branca, será marcada por grande pompa e incluirá uma visita ao famoso Templo do Céu, além de um luxuoso banquete de Estado, informou o governo americano. Mas o que está verdadeiramente em causa é a guerra no Irão: Trump chega à China com a imagem pouco ‘convidativa’ de ser o responsável – segundo dezenas de países – pelo encerramento do Estreito de Ormuz, que funcionava na perfeição antes da intervenção armada em conjunto com Israel. A China, muito afetada pelo embargo ao petróleo iraniano daí decorrente e pelo aumento vertiginoso dos preços, é muito crítica da intervenção e não estará com certeza disponível para permitir uma espécie de ‘fuga para a frente’ de Trump às suas responsabilidades.

Trump abordou por diversas vezes, com Xi Jinping, a questão das receitas que a China gera para o Irão e para a Rússia através da compra de petróleo àqueles dois países, bem como a venda de bens de dupla utilização (militar e civil). E, segundo os analistas, essa conversa é para continuar.

“A convite do presidente Xi Jinping, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump, fará uma visita de Estado à China”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado. A China anunciou que tentará promover “mais estabilidade” nas relações internacionais durante a visita de Trump. “A China tem a intenção de trabalhar com os Estados Unidos em pé de igualdade, num espírito de respeito e preocupação com o interesse mútuo, com o objetivo de desenvolver a cooperação, administrar as diferenças e proporcionar mais estabilidade e certeza a um mundo instável e interdependente”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, citado pelas agências internacionais. “A diplomacia no mais alto nível desempenha um papel estratégico e orientador insubstituível nas relações entre China e Estados Unidos”, acrescentou.

O comércio, as tarifas, a inteligência artificial e os minerais críticos e inevitavelmente Taiwan também estarão na agenda da visita. O facto de Trump se rodear dos mais importantes CEO’s dos gigantes norte-americanos não só das tecnológicas como de setores tradicionais (como a aviação) resulta na evidência de que a visita terá um foco marcado nas relações económicas entre os dois países. O objetivo de Trump, dizem os analistas, será reequilibrar a relação com a China e priorizar a reciprocidade e a equidade para restaurar a independência económica dos Estados Unidos. Neste contexto, China e Estados Unidos deverão estudar a possibilidade de prorrogação das tréguas comerciais implantadas em outubro passado por um ano.

Trump chegará a Pequim na noite de quarta‑feira, concretizando finalmente uma viagem prevista originalmente para março e adiada por causa da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão. Na quinta‑feira de manhã serão realizadas, em Pequim, uma cerimónia de boas‑vindas e uma reunião bilateral com Xi Jinping, seguidas de uma visita ao Templo do Céu e de um banquete de Estado à noite. Posteriormente, na sexta‑feira, Trump e Xi Jinping manterão uma reunião bilateral e um almoço de trabalho antes de o líder norte-americano regressar a Washington.