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Via Verde acelera expansão europeia e já gera até 30% das receitas fora de Portugal

A Brisa está a reforçar a internacionalização da Via Verde, com o negócio fora de Portugal a representar já entre 25% e 30% da faturação em 2026. A aquisição da Axxès e a entrada em novos mercados como os Países Baixos foram decisivos para a plataforma de mobilidade

A Via Verde está a consolidar a sua transformação de operador nacional para plataforma europeia de mobilidade, com presença indireta em 15 países. A estratégia foi reforçada com a aquisição da Axxès., empresa francesa especializada em mobilidade B2B, concluída em novembro e ainda em fase de integração.

Segundo António Pires de Lima, presidente da Brisa, na comemoração dos 35 anos da Via Verde realizada hoje na sede da empresa, esta operação representa um salto estrutural na expansão internacional: “É um projeto com grande ambição de se tornar uma marca e um serviço europeu de excelência em termos de mobilidade”.

Além desta aquisição, a empresa está também a avançar com projetos nos Países Baixos, nomeadamente na operação de portagens na autoestrada A24, na região de Roterdão, e no desenvolvimento de um sistema nacional para veículos pesados, reforçando a presença num mercado em transformação.

O peso do mercado internacional já é significativo. “Em 2026, valerá cerca de 25% a 30% do volume de negócios, já integrando a aquisição da Axxès”, revelou o responsável, sublinhando que este crescimento acompanha a evolução dos resultados do grupo.

A estratégia passa por exportar o modelo português de mobilidade integrada — baseado no princípio “user pays” — para mercados europeus onde ainda predominam soluções fragmentadas e operadores nacionais. Itália, com a Telepass, é atualmente um dos poucos exemplos de maior escala.

Além das portagens, a empresa aposta na diversificação de serviços, nomeadamente na mobilidade elétrica, com cerca de 200 pontos de carregamento nas autoestradas e novos projetos urbanos. A sustentabilidade surge como um dos eixos centrais do crescimento, com a Via Verde a posicionar-se também como facilitador da transição energética.

Apesar da expansão europeia, a Brisa não exclui oportunidades fora da Europa, nomeadamente nas Américas, embora reconheça que o atual contexto geopolítico exige prudência.

Quanto ao impacto da atual crise energética, Pires de Lima admite incerteza, mas garante que, para já, não há efeitos relevantes no tráfego: “Não estamos a sentir impacto na circulação. O que mais afeta a mobilidade é o clima”.

Ainda assim, reforça que a mobilidade continua a ser um pilar essencial da economia e da qualidade de vida: “Não existe felicidade sem mobilidade”.

Com a Europa a caminhar para modelos baseados no princípio do utilizador-pagador, a Brisa vê espaço para crescer e consolidar um mercado ainda fragmentado — posicionando a Via Verde como um potencial líder europeu no setor.