O turismo português deverá superar pela primeira vez a barreira dos 30 mil milhões de euros em receitas em 2025. Apesar dos dados finais do setor só serem conhecidos no final de janeiro, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, diz ao Jornal Económico (JE) que acredita que este valor será atingido. É 10% do produto interno bruto (PIB).
“Portugal está a crescer 2,5% ao ano em fluxo, está a crescer 6% ao ano em receita”, um ritmo que mais do que duplica o ritmo de expansão da economia. Mais de 30 mil milhões de euros em receitas, mais de 84 milhões de dormidas, mais de 32 milhões de passageiros. Tudo recordes.
Os números são esmagadores e os agentes dizem-se otimistas para o novo ano, ainda que o refiram com cautela. Mas o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) avisa que o setor está a entrar num cenário de desaceleração em relação aos últimos anos.
“Não nos iludamos! Estamos a entrar numa fase de crescimento sustentável”, referiu Francisco Calheiros durante o 50º congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorreu em Macau no início de dezembro.
Este verão, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o setor do alojamento turístico registou 10,5 milhões de hóspedes e 28,6 milhões de dormidas entre junho e agosto, registando crescimentos de 2,2% no número de hóspedes e 2% nas dormidas face ao verão do ano passado.
“São aumentos? Sim, mas não são crescimentos ao nível dos que assistimos nos últimos anos”, sublinhou Francisco Calheiros.
Um sentimento que é partilhado por Pedro Machado, assumindo que o setor está a assistir àquilo que “são as dores de crescimento” para os próximos 10 anos e que vão passar por uma estratégia nacional assente em três pilares: crescimento sustentado, qualificação e boa experiência turística e um maior grau de satisfação dos residentes.
“Temos a preocupação de que este crescimento não hipoteque nem a sustentabilidade dos nossos recursos, nem possa ser fragilizado por uma experiência turística menos positiva e simultaneamente não aumente o desconforto dos nossos residentes”, sublinha Pedro Machado.
Um dos objetivos passa por colocar Portugal no top 10 dos destinos mais competitivos. Para que tal seja possível, o secretário de Estado do Turismo avisa que os incêndios de 2024 e em 2025 não são uma boa notícia para aumentar esse índice de competitividade.
“Precisamos dizer à OCDE que, pese embora esses fenómenos naturais, Portugal está a olhar para eles com soluções de médio prazo”, realça.
Turismo Setor quer renovar recordes em 2026
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Mais receitas, dormidas e visitantes. 2025 foi um ano de recordes, que o setor quer ver replicados em 2026, com valores superiores. Mesmo com as dores de crescimento identificadas e as limitações do eterno problema do aeroporto.