Os tripulantes da easyJet no Porto dizem que a situações operacional no Porto é "insustentável", devido à falta de tripulantes, e admitem explorar outros caminhos, sugerindo nova greve, tal como a que teve lugar em 2024 em Lisboa e que impactou 200 voos.
"Continuamos empenhados em mostrar à empresa que esta situação é insustentável, demonstrando que, se nada mudar, outros caminhos poderão ser explorados", segundo um comunicado interno do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) a que o JE teve acesso.
A estrutura sindical não refere explicitamente a possibilidade de ir para greve, mas sugere essa possibilidade. Recuando no tempo, em agosto de 2024, os tripulantes da companhia fizeram greve durante três dias, com 200 voos cancelados, exatamente pela mesma razão.
"Temos vindo a acompanhar a situação operacional que se tem vivido no Porto. Situação esta que já se arrasta há demasiado tempo, apesar dos constantes apelos feitos por este Sindicato junto da empresa", pode-se ler.
O SNPVAC considera que a "companhia não consegue eliminar o pecado original: a falta de tripulantes" e argumenta que "isto deve-se ao facto de a companhia planear uma operação com o mínimo de staff possível, e também pelo facto de esta contar de forma errada os números FTE [Full-Time Equivalent, para calcular a força de trabalho disponível], o que faz com que, em princípio, pareça que tem trabalhadores suficientes para realizar a operação, mas que, na realidade, estes números estão muito aquém do necessário".
Por sua vez, a easyJet garante que "cumpre integralmente a legislação laboral portuguesa e, embora respeite o ponto de vista do SNPVAC, discorda totalmente do mesmo e refuta as alegações", segundo fonte oficial da companhia aérea.
A estrutura sindical liderada por Ricardo Penarroias considera que a função primordial dos tripulantes é "assegurar a segurança de voo" e "não estarmos preocupados que, caso liguemos fatigue ou unfit, “o voo seja cancelado porque não existe mais ninguém disponível”.
"O vosso bem-estar físico e psicológico deve sobrepor-se à desorganização operacional da empresa. Já vivemos esta experiência em 2024 e tivemos muitos colegas que necessitaram de colocar baixa psicológica devido à exaustão decorrente de escalas pesadas e de disrupção operacional constante. Os trabalhadores necessitam de tranquilidade e confiança, algo que a easyJet não lhes assegura", critica o SNPAV.
O sindicato defende que os "instrumentos legais que temos à disposição devem ser utilizados".
"Recebemos indicação de que já começaram a ser oferecidas transferências para a base do Porto. Esta é apenas a confirmação de que o Sindicato e os Tripulantes estavam certos quando pediam mais efectivos. Continuamos empenhados em mostrar à empresa que esta situação é insustentável, demonstrando que, se nada mudar, outros caminhos poderão ser explorados", conclui o SNPVAC.
Em 2024, o SNPVAC apontou vários motivos para a greve, como a "insatisfação sentida pelos Tripulantes pelo contínuo e cada vez mais acentuado desrespeito pela sua dignidade profissional” e “as inúmeras tentativas feitas pelos Tripulantes de Cabine da easyJet para resolver as questões laborais e pecuniárias, ignoradas pela Empresa“.
Ou a “falta de estabilidade de escalas; tratamento discriminatório relativamente à classe dos pilotos nas compensações dadas relativamente à disrupção de verão, erros sucessivos no processamento de vencimentos; ausência de recursos para colmatar falhas operacionais de planeamento e serviço de escalas” ou “o cálculo ilegal do subsídio de Natal nos contratos de trabalho intermitente”.