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SpaceX enfrenta primeiro desbloqueio de ações com free float a subir mais do dobro

A 20 de agosto são desbloqueadas mais 455 milhões de ações da SpaceX.

Esta quinta-feira, 6 de agosto, decorre o primeiro desbloqueio de ações da SpaceX. Passam a estar disponíveis potencialmente cerca de 911 milhões de ações (caso os detentores as vendam). Atualmente estão disponíveis cerca de 280 milhões de ações, refere o Yahoo Finance. A 20 de agosto são desbloqueadas mais 455 milhões de ações.

Com o desbloqueio, que ocorre hoje, o free float (quantidade de ações disponíveis para transação) da empresa de foguetões, satélites e inteligência artificial (IA) vai passar de menos de cerca 5% para cerca de 12%.

A SpaceX entrou em bolsa a 12 de junho, naquela que foi a maior entrada de sempre que levou a empresa a levantar mais de 80 mil milhões de dólares (69,2 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual). Num processo de entrada em bolsa os insiders (pessoas que detinham ações da empresa antes desta entrar em bolsa) estão sujeito a períodos de bloqueio de venda dessas mesmas ações que podem variar entre 90 dias e 180 dias após a estreia nos mercados de capital. Este bloqueio existe para que se evite uma venda em massa dos insiders, levando à queda do preço das ações.

"A 6 de agosto de 2026, os insiders poderão vender até os primeiros 20% das ações elegíveis. O cronograma do período de bloqueio da SpaceX também permitia a venda antecipada de mais 10% das ações caso o preço das ações subisse pelo menos 30% acima do preço do IPO [processo de entrada em bolsa] durante cinco dos dez dias úteis consecutivos anteriores à divulgação do primeiro relatório de resultados. Algo que não aconteceu", referiu a publicação financeira Yahoo Finance.

O professor de Direito na Universidade de Notre Dame, que estuda IPO, citado pelo New York Times, considerou que existem "motivos para preocupação" de que o fim do período de bloqueio introduza "maior volatilidade" nos preços. O docente referiu que em média o fim dos períodos de bloqueio leva a uma queda de 1,5% nos preços das ações devido ao aumento das vendas.

O analista do Morgan Stanley, Adam Jonas, numa nota, transcrita pelo New York Times, considerou que o preço das ações poderiam "realisticamente" cair para os 100 dólares (86 euros). Atualmente as ações estão a transacionar nos 125 dólares, ou 108 euros (dados retirados durante a sessão bolsista de quarta-feira). Este é um preço inferior aos 135 dólares (116 dólares) definidos aquando da entrada em bolsa da empresa. Desde a estreia a empresa já caiu mais de 31%.

Já o analista da Morningstar, Nicolas Owens, citado pela publicação com o mesmo nome, considerou que o período de bloqueio pode ter sido um fator a contribuir para a queda no preço das ações. "É possível que boa parte da recente queda das ações da SpaceX seja precisamente uma antecipação da diluição causada pelo bloqueio", referiu o analista.

Existem também um sentimento negativo do mercado relativamente à SpaceX. Dados da empresa de dados financeiros S3 Partners, citados pelo New York Times, referem que quase 25 mil milhões de dólares (21,6 mil milhões de euros) em ações negociáveis ​​da SpaceX, ou 34% do seu free float, estão nas mãos de short-sellers (que acreditam na descida do preço de uma ação) e que a SpaceX é a oitava ação mais visada para short selling nos Estados Unidos e a ação mais visada para short selling nos últimos 30 dias.

Em julho um analista da Morningstar, Nicolas Owens, citado pela mesma publicação, considerava que era provável uma onda de vendas [na sequência do desbloqueio de acções]. "Acreditamos que a maior parte das ações disponíveis chegará ao mercado, porque os vendedores atuais têm um custo de aquisição baixo e longos períodos de retenção", defendeu.

O analista da Morningstar, Zachary Evens, disse, também citado pela Morningstar, que os vários períodos de desbloqueio das ações da empresa "é uma oportunidade" para a SpaceX "conquistar uma participação maior" nos fundos de índice ponderados pela capitalização bolsista.

"Normalmente, as ações conquistam uma maior participação nestas carteiras devido à valorização dos seus preços. A SpaceX é diferente; terá também uma maior ponderação se o preço das suas ações aumentar ou se a sua percentagem de ações em circulação subir. Ao longo do próximo ano, a percentagem de ações em circulação irá provavelmente aumentar, elevando a capitalização bolsista ajustada pela circulação e, consequentemente, a sua ponderação em muitos fundos de índice. No entanto, ainda é improvável que se torne uma das principais participações em muitos fundos de índice em breve, dada a sua percentagem muito baixa de ações em circulação inicial e a atual capitalização bolsista total de cerca de 1,5 biliões de dólares (1,3 biliões de euros)", acrescentou Zachary Evans.

Próximo desbloqueio de ações ocorre a 20 de agosto

Existem vários períodos para desbloqueio de ações. Depois desta quinta-feira o próximo ocorre a 20 de agosto quando poderão chegar à bolsa mais de 455 milhões de ações da empresa fazendo subir o free float para os 15,2%. A 9 e 24 de setembro o valor sobe para os 17,7% e para os 20,1%.

Em outubro existem mais dois períodos de expiração do bloqueio. A 9 e 24 de outubro em termos teóricos podem estar no mercado 22,6% e 25,1% das ações e a 8 de dezembro esse valor sobe para os 40%.

Em 2027 existem vários períodos que colocam fim ao bloqueio de ações da SpaceX. A 18 de março podem ficar disponíveis no mercado 44,1% das ações e a 17 de maio já serão 46,7%. Passado um ano sobre a entrada em bolsa [que ocorreu a 12 de junho] da SpaceX ficam disponíveis 96%, onde estão incluídas as ações detidas pelo CEO, Elon Musk. Em agosto e setembro o valor sobe para os 99,5% e 100%.

Este período de desbloqueio de ações da empresa é pouco usual. O estrategista da Renaissance Capital, Matthew Kennedy, citado pela Morningstar, referiu que [aquando do dia da estreia em bolsa] a SpaceX "colocou cerca de 5% das suas ações no mercado, pelo que há muito mais ações bloqueadas aqui" do que num IPO típico. "Faz sentido, dada a dimensão da empresa, mas não deixa de ser uma grande margem de segurança técnica. Não é apenas o número de ações que serão vendidas que é invulgar. A SpaceX tem a maior sequência de lançamentos de ações bloqueadas que já vimos", acrescentou.

SpaceX viu receita quase duplicar mas gera prejuízo superior a 541 milhões

Este desbloqueio de ações, que decorre esta quinta-feira, surge dois dias depois da SpaceX ter apresentado os seus resultados referentes ao segundo trimestre, a primeira vez que isso acontece desde que a empresa entrou nos mercados de capital.

A empresa reportou uma subida de 92% nas receitas, para os 7,8 mil milhões de dólares (6,7 mil milhões de euros), face aos 4,1 mil milhões de dólares (3,5 mil milhões de euros) do período homólogo, entre os segmentos de espaço, conectividade e inteligência artificial (IA).

A organização apresentou um prejuízo líquido de 541 milhões de dólares (468,2 milhões de euros), contudo foi "uma melhoria de 467 milhões de dólares (404,2 milhões de euros) em relação ao prejuízo líquido de mil milhões de dólares (870 milhões de euros)", referiu a empresa.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação, e amortização (EBITDA) ajustado atingiu os 3,5 mil milhões de dólares (três mil milhões de euros), "um aumento de 191% face aos 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros)" do ano anterior.

A empresa gerou um prejuízo operacional de 143 milhões de dólares (123,7 milhões de euros), no segundo trimestre, uma melhoria face ao prejuízo operacional de 970 milhões de euros (839,5 milhões de euros) do período homólogo.

As despesas de investimento (capex) atingiram os 18,3 mil milhões de dólares (15,8 mil milhões de euros), no segundo trimestre, um aumento face aos 2,8 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros) do ano anterior.

O segmento de conectividade teve um crescimento de 66% na receita, e 32% em termos trimestrais, e de 79% no lucro operacional, no segundo trimestre, face ao ano anterior, "impulsionado pela duplicação do número de subscritores da Starlink e pelo crescimento contínuo" nos segmentos de Empresas e Governo.

"Os custos e despesas totais do segmento de Conectividade aumentaram 970 milhões de dólares (839,5 milhões de euros) em termos homólogos, impulsionados principalmente pelo aumento das despesas para apoiar o crescimento das receitas, bem como por maiores despesas de investigação e desenvolvimento (I&D) para os nossos satélites V3 de próxima geração, que esperamos que proporcionem aumentos significativos na capacidade de banda larga e na densidade de dados", referiu a cotada em bolsa.

O segmento do espaço viu as receitas aumentarem 29%, e 55% em termos sequenciais, para os 962 milhões de dólares (832,6 milhões de euros), "impulsionado por um maior número de grandes lançamentos de clientes e por uma mudança favorável no perfil dos clientes em comparação" com o ano anterior.

"Os custos e despesas totais do segmento Espacial aumentaram 389 milhões de dólares (336,7 milhões de euros) em termos homólogos, à medida que continuamos a acelerar os investimentos em I&D no nosso programa Starship, que acreditamos que reduzirá o custo de entrada em órbita em 99% ou mais em relação à média histórica e desbloqueará um potencial de receitas significativo em todos os segmentos de negócio", referiu a empresa.

O segmento de IA viu as receitas crescerem 213%, no segundo trimestre, face ao trimestre anterior, e 247% em relação ao ano anterior, atingindo os 2,6 mil milhões de dólares (2,2 mil milhões de euros), "impulsionadas principalmente por um aumento nas receitas de soluções e infraestruturas de IA provenientes de novos Contratos de Serviços na Nuvem (ou cloud), bem como por um aumento nas receitas de subscrições" do Grok e do X (antigo Twitter).

"Os custos e despesas totais do segmento de IA aumentaram 1,6 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) em relação ao ano anterior, impulsionados pelo aumento do investimento em I&D, principalmente devido ao maior gasto em infraestruturas, à medida que aceleramos a implementação da computação", disse a empresa.

"2026 tem sido um ano marcante até agora, e o segundo trimestre demonstrou o verdadeiro poder da SpaceX. A receita cresceu aceleradamente em todos os nossos segmentos de negócio e alcançámos uma forte alavancagem operacional, com significativas expansão da margem impulsionada pelos nossos novos contratos de computação de IA. A nossa liderança incomparável em lançamentos, crescimento de subscritores da Starlink, novas parcerias com empresas e governos e infraestruturas de IA de ponta reforçam a nossa capacidade de impulsionar uma escala significativa e gerar retornos atrativos", disse o diretor financeiro da empresa, Bret Johnsen.

"Como empresa recém-aberta ao público, temos o prazer de dar as boas-vindas à nossa ampla base de acionistas e detentores de obrigações. Terminámos o segundo trimestre com 100 mil milhões de dólares (86,5 mil milhões de euros) em caixa, equivalentes de caixa e títulos negociáveis, e 47,5 mil milhões de dólares (41,1 mil milhões de euros) em carteira de encomendas. Esta solidez financeira dá-nos uma capacidade substancial para investir na Starship, nos satélites Starlink Broadband e Mobile e na nossa plataforma de IA, mantendo ao mesmo tempo uma estrutura disciplinada de alocação de capital a longo prazo", acrescentou o CFO.