O principal índice europeu acompanha 600 empresas de grande, média e pequena capitalização de mercado em 17 países e é, na prática, o equivalente europeu donorte-americano S&P 500. Em 2026, o Stoxx 600 acumula uma valorização de 10%, embora continue a ficar aquém do desempenho do seu congénere.
Como resultado, o panorama setorial tem sido particularmente desigual, com alguns segmentos do Stoxx a registarem um desempenho superior a outros. As ações tecnológicas têm registado um desempenho particularmente forte em 2026, apesar da recente correção das cotações das empresas de semicondutores.
As cinco ações europeias com melhor desempenho em 2026 pertencem todas à indústria dos semicondutores: Soitec (+371%), AT&S (+330%), Technoprobe (+123%), Aixtron (+116%) e STMicroelectronics (+101%).
"Impulsionadas pelas revisões em alta das previsões de lucros e pelo entusiasmo dos investidores em torno de tudo o que está relacionado com a inteligência artificial, estas ações deram um contributo decisivo para o desempenho do Stoxx 600", afirmou Russ Mould, diretor de investimentos da plataforma AJ Bell, à CNBC.
"Preços robustos, carteiras de encomendas sólidas, boa visibilidade e as expectativas de escassez ao longo da cadeia de abastecimento dos semicondutores estão a sustentar os lucros e a convencer alguns investidores de que os antigos ciclos de expansão e contração poderão ter ficado para trás”, acrescentou o analista.
Outro setor com um desempenho sólido é o da banca. O índice Euro Stoxx Banks acumula uma valorização de 18%, com ganhos particularmente expressivos entre os bancos franceses e italianos, impulsionados por uma vaga de operações de aquisição e consolidação no setor. "O atual contexto operacional é praticamente ideal para os grandes bancos: a economia continua resiliente, as imparidades de crédito mantêm-se reduzidas, as margens financeiras permanecem sólidas e a volatilidade nos mercados acionista, obrigacionista, de matérias-primas e cambial está a favorecer as operações de banca de investimento das instituições que dispõem dessas áreas", afirmou o diretor de investimentos da AJ Bell.
As empresas de petróleo e gás têm sido as principais beneficiárias do setor energético desde o início da guerra em fevereiro. A britânica BP anunciou na terça-feira um forte aumento dos lucros do segundo trimestre, numa altura em que as grandes petrolíferas continuam a beneficiar dos preços elevados dos combustíveis fósseis durante as hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão. As ações da empresa acumulam uma valorização de 20% desde o início do ano.
Luxo e automóveis enfrentam dificuldades
Os bens de luxo têm enfrentado dificuldades este ano. As vendas na China, que se tornou responsável por cerca de um terço da procura mundial por produtos de luxo na última década, e no mercado asiático em geral, registaram um abrandamento significativo. Entre os maiores nomes do setor, a LVMH, a Hermès e a Kering registam quedas de 24,43%, 26,05% e 8,31%, respetivamente, desde o início do ano.
A indústria automóvel europeia está mergulhada numa crise estrutural que se prolonga há vários anos, e 2026 trouxe pouco alívio. O índice Stoxx Autos acumula, assim, uma queda de 16% desde o início do ano. A Porsche AG e a Stellantis estão entre as empresas com pior desempenho, com descidas de 27,6% e 48,7%, respetivamente.