Skip to main content

Sines Investidores aceleram construção de casas na região

Para dar resposta à falta de habitação destinada aos trabalhadores, a Madoqua prepara-se para construir entre 150 e 200 apartamentos em condomínio com farmácia, supermercado e campos de jogos. Já a Calb planeia a construção de 70 moradias para os altos quadros e de um hotel com capacidade para 700 camas. E o Porto de Sines vai apostar em 70 casas.

Aescassez de casas disponíveis em Sines está a levar os investidores a avançarem com projetos próprios na região. Nos próximos cinco anos, a cidade prepara-se para receber mais de 11 mil trabalhadores (4.577 postos de trabalho diretos e 6.903 temporários), numa altura em que o aluguer de um T2 ultrapassa os dois mil euros mensais e um apartamento novo ronda os 400 mil euros. A crise na construção traz outro efeito, como a falta de serviços para os moradores. Apesar desta nova onda de trabalhadores ainda não ter chegado ao município já houve a necessidade de transformar balneários em salas de aulas nas escolas.
Face a esta pressão, grandes investidores como a Madoqua e a Calb já estão a desenvolver soluções próprias de alojamento. A Start Campus reconhece a necessidade de mais habitação e está a acompanhar o tema com entidades públicas e privadas.
Entre os projetos mais avançados, sabe o Jornal Económico, está o da Madoqua, consórcio holandês-dinamarquês-português ligado à produção de hidrogénio e amoníaco verde, que definiu uma estratégia em duas fases. Numa primeira etapa, que deverá ficar concluída até ao primeiro trimestre de 2027, a construção de casas modulares junto da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) que podem acolher mais de mil operários em simultâneo. O espaço inclui estacionamento e áreas de lazer, como campos de jogos.
Numa segunda fase, até 2030, a empresa prevê construir entre 150 e 200 casas de tipologia T1, T2 e T3, localizadas num raio de 20 a 30 quilómetros de Sines. O objetivo é criar uma oferta permanente e direcionada para quadros especializados, engenheiros, executivos e administradores. O projeto inclui condomínios equipados com piscina, supermercado, farmácia e zonas desportivas.
Estas casas poderão ser disponibilizadas aos trabalhadores através das modalidades de arrendamento, cedência temporária ou venda, dependendo do vínculo laboral, principalmente no caso dos expatriados. A empresa conta ainda com um fundo ambiental de 250 milhões de euros destinado ao financiamento de equipamentos públicos e projetos comunitários. Por cada megawatt produzido serão entregues 1,5 euros à comunidade para apoiar a construção de escolas, centros de saúde ou outras infraestruturas locais. A Madoqua pretende devolver à comunidade parte do impacto económico gerado pelos projetos, embora reconheça dificuldades relacionadas com licenciamentos e burocracias administrativas.
Também a Calb, empresa chinesa top 10 mundial na produção de baterias de lítio para veículos elétricos, tem em mãos um dos maiores projetos de investimento para a região de Sines. O investimento prevê a criação de cerca de 1800 postos de trabalho diretos e deverá arrancar produção em 2028. O Jornal Económico apurou que a Calb, em parceria com uma empresa imobiliária, planeia a construção de 70 moradias para os altos quadros em Vila Nova de Santo André, concelho de Santiago do Cacém. Na mesma zona assegurou (através de um contrato de cedência de direito de superfície) um terreno para a construção de um hotel com capacidade para 700 camas. “Escolhemos Portugal devido às suas vantagens estratégicas, ao forte potencial da economia portuguesa e à sua mão-de-obra qualificada”, disse a chairwoman da empresa, Liu Jingy, durante o evento de apresentação do projeto, em fevereiro de 2025. A unidade industrial irá ocupar cerca de 45 de 92 hectares da área total de um lote na ZILS, estando prevista a construção de cinco edifícios de produção de elétrodos, células, formação e montagem, embalagem e invólucros.
Já no setor digital, a Start Campus está a desenvolver e a operar o Sines Data Campus, um data center de 1,2 GW em Portugal, criando um dos maiores e mais sustentáveis ecossistemas de dados da Europa e que representa um investimento de nove mil milhões de euros. “A empresa está consciente de que este desenvolvimento pode também conduzir a um aumento das necessidades locais, nomeadamente no domínio da habitação, e tem vindo a acompanhar este tema de forma responsável e construtiva, em articulação com as autoridades públicas e stakeholders relevantes”, diz Luís Rodrigues, diretor de operações da Start Campus, ao Jornal Económico.
A empresa continuará disponível para trabalhar com entidades públicas e privadas na identificação de soluções sustentáveis que respondam às necessidades locais e acompanhem o desenvolvimento económico esperado para Sines. “Relativamente aos trabalhadores atualmente no terreno, a Start Campus e os seus empreiteiros encontram-se a gerir as necessidades de alojamento através de soluções existentes no mercado, incluindo unidades hoteleiras e opções de arrendamento, de acordo com as necessidades específicas do projeto e a disponibilidade existente na região”, revela o responsável.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico