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Sindicato independente da função pública: "Falar em 1.600 euros de salário mínimo é gozar com o povo"

Sindicato independente da função pública antevê uma forte adesão à greve de sexta-feira, que vai condicionar vários serviços do Estado, como educação, finanças, segurança social, justiça e INEM. Presidente da estrutura afasta motivações políticas na convocação da greve e critica postura do primeiro-ministro que, na antecâmara da greve geral, acenou aos trabalhadores com a ideia de que o salário mínimo vai subir para os 1.600 euros. "A não ser que seja em 2050", ironizou Jaime Santos.

Antes de a as duas centrais sindicais terem anunciado a greve geral, já o Sindicato Independente dos Trabalhadores dos Organismos Públicos e Apoio Social (SITOPAS) tinha previsto uma paralisação para os dias 11 e 12 de dezembro, quinta e sexta-feira, que abrange da Administração Pública Central, Regional e Local, que sejam de “carreiras gerais, especiais e subsistentes, dos serviços da Administração Direta e Indireta do Estado".

O que significa que os constrangimentos que esta quinta-feira se vão sentir por todo o país, nos mais variados setores, no dia seguinte deverão continuar. Ao JE, o presidente do SITOPAS, Jaime Santos, antevê uma "grande adesão" na sexta-feira, sendo o setor da saúde o maior aderente. O responsável prevê uma paralisação quase total, com uma adesão superior a 85%, com escolas encerradas por todo o país. Noutros serviços do Estado, como nas finanças, segurança social e justiça, também se espera uma adesão significativa.

"Não há mãos a medir, todos os telefones estão a tocar, vai ser uma grande adesão à greve, tanto no setor social como no no setor da educação, na justiça, até os trabalhadores do INEM [vão aderir]", resumiu ao JE Jaime Santos. Nestes últimos dois casos, há serviços mínimos assegurados.

Quando questionado sobre os motivos para a greve, além da reforma laboral que o Governo quer aprovar, Jaime Santos aponta outros, nomeadamente a falta de pessoal na administração pública que é constante e "cada vez pior". E aproveita para comentar a meta dos 1.600 euros de salário mínimo definida pelo primeiro-ministro na antecâmara da greve geral. "É gozar com o povo", criticou, dizendo não acreditar "nada, nadam nada" na promessa, "a não ser que seja para 2050".

Na opinião do presidente do SITOPAS, "ficou muito mal ao primeiro-ministro dizer aquele disparate da boca para fora, é lamentável. Está a faltar ao respeito aos trabalhadores. (...) O trabalhador ouviu aquilo e fica com a ideia de que vem aí um aumento do salário mínimo para 1600 euros. Não é verdade. Não é nem vai ser. Eram valores justos, eram, mas não estou a ver [como]".

O dirigente sindical acrescenta que Luís Montenegro, ao firmar esta meta para o salário mínimo nacional, entra em contradição consigo próprio, uma vez que definiu o patamar dos 1.100 euros para o fim da legislatura. Jaime Santos acredita ter-se tratado de uma tentativa de desmobilizar os trabalhadores que vão fazer greve desta quinta-feira e que, embora reconheça ter "muita política pelo meio", há razões para a contestação.

"Acho lamentável um primeiro-ministro vir com uma mentira destas descaradamente", reforçou, fazendo a ressalva que o sindicato que lidera está "completamente afastado da política":  "Nós não temos nada a ver com política, tanto que a nossa greve do dia 11 e dia 12 já estava prevista antes das centrais sindicais avançarem. Não nos revemos nisso. Somos um sindicato independente, aliás, somos o maior sindicato independente nacional, e estamos afastados de tudo isso."

Luís Montenegro reafirmou esta quarta-feira que a meta dos 1.600 euros de salário mínimo nacional é "realista" e será calendarizado quando houver "alicerces para isso". Este valor foi suscitado pelo próprio primeiro-ministro no fim de semana quando afirmou que a reforma laboral poderá permitir que o país alcance esse patamar salarial.

A CGTP viu nestas declarações um ato "desesperado" e "um insulto" aos 2,5 milhões de trabalhadores com menos de 1.000 euros.