País marcado pelas mais diversas vicissitudes políticas e por um desenvolvimento económico muito aquém do desejado – e eventualmente das suas potencialidades – São Tomé e Príncipe apresentou este mês o seu plano estratégico de desenvolvimento, assente numa visão de longo prazo focada na continuidade das políticas públicas, na atração de investimento internacional e no desenvolvimento sustentável. O esboço do plano ficou estabelecido ainda em dezembro de 2025, quando o país apresentou em Bruxelas a sua estratégia nacional de desenvolvimento sustentável até 2040 e um Quadro Nacional Integrado de Financiamento (INFF).
A seu desenvolvimento deixa agora saber que o país, com cerca de 235 mil habitantes, faz assentar o plano em quatro setores: biodiversidade, economia azul, produção de cacau e ecoturismo.
Este plano, desde logo, pretende combater inibições externas decorrentes da redução da ajuda internacional e das fortes restrições orçamentais. É nesse contexto que São Tomé e Príncipe quer alinhar no mesmo sentido capital público e privado, financiamento climático e financiamento do desenvolvimento dentro de um único quadro.
O plano tem por base quatro grandes desígnios: continuidade na execução coerente das políticas públicas durante os 14 anos de vigência, com foco no desenvolvimento industrial e socioeconómico sustentável; a atração de investimento, apresentada no Fórum de Investimento São Tomé e Príncipe 2040, que, em Bruxelas, visou captar capital internacional para projetos estruturantes; a transição energética, que tratará de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, promovendo energias renováveis e eficiência energética; a aposta nas infraestruturas, nomeadamente na requalificação urbana; e finalmente a reforma do ordenamento do território, e a melhoria dos serviços públicos e do setor da justiça enquanto alavanca do investimento externo.
São Tomé e Príncipe quer mudança radical da economia até 2040
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Com uma posição geográfica estratégica no Atlântico sul e condições naturais preservadas, o país oferece oportunidades praticamente inéditas. O governo quer chamar investimento estrangeiro para acompanhar o estatal.