A questão central já não é saber se o sistema responde. Responde, muitas vezes com enorme esforço humano, dedicação e sentido de missão por parte dos operacionais. O problema é outro: perceber se o sistema está verdadeiramente organizado para antecipar, planear, preparar, mitigar, decidir, comunicar e aprender. É nesse plano que se tornam evidentes fragilidades que não são conjunturais, mas estruturais.
Proteção Civil entre a resposta e a governança do risco
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Portugal vive hoje uma contradição difícil de ignorar. Nunca se falou tanto de Proteção Civil e, paradoxalmente, raramente se discutiu com profundidade o que ela deve ser enquanto sistema estrutural do Estado. Os fenómenos extremos tornaram-se mais frequentes, mais prolongados e mais complexos, os impactos acumulam-se e a pressão sobre os serviços é crescente. Ainda assim, o debate público continua excessivamente centrado na resposta imediata, na gestão do momento crítico e na contabilidade de meios mobilizados.