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Primeira-ministra do Japão aguarda vitória eleitoral para alinhar com os EUA

Sanae Takaichi quer avançar com uma política económica expansionista, alavancada numa fiscalidade agressiva. O aumento da tensão com a China implica, por outro lado, a vontade de alinhar com a estratégia dos Estados Unidos.

A primeira-ministra do Japão e líder do Partido Liberal Democrático (PLD), Sanae Takaichi, deve obter uma vitória esmagadora nas eleições para a Câmara Baixa no próximo domingo, 8 de fevereiro, segundo indicam as sondagens disponíveis. A confirmar-se, Takaichi terá força política suficiente para implementar uma nova política interna expansionista e, do ponto de vista externo, o aprofundamento do alinhamento estratégico com os Estados Unidos, em detrimento de qualquer aproximação à China.
Sanae Takaichi – que está à espera dessa vitória para aumentar a sua influência sobre o seu partido – poderá assim deixar de pensar numa lógica de alianças políticas com outros partidos e lançar o país num processo de rápido crescimento, alavancado pelo lançamento de investimentos estatais e a quebra de impostos. Takaichi pretende assim, por um lado, recuperar uma economia que, em 2025, foi ‘psicologicamente’ abalada pelo rápido crescimento da Índia, que ultrapassou o Japão no top3 do ranking das maiores economias do mundo; e, por outro, fortalecer a sua posição como potência económica regional.
Mas as intenções de Sanae Takaichi enfrentam desafios que podem lançar o país numa deriva que, no final, resulte exatamente no contrário daquilo que a primeira-ministra pretende. É que o país está numa situação de pleno emprego – ou seja, uma política expansionista pode resultar num aumento da procura de mão de obra, com repercussões imediatas no crescimento dos gastos das empresas. De seguida, a pressão inflacionista será a consequência seguinte, o que pode o Banco do Japão a ser forçado a acelerar o ritmo de aumento das taxas de juros para combater a desvalorização do iene e as pressões inflacionistas decorrentes de uma política fiscal expansionista. E, em paralelo, a evidência de que o país precisa desesperadamente de imigração para contrabalançar a impreparação demográfica para acompanhar o expansionismo económico. Dados publicados no ano passado, apontam para que o Japão deverá precisar da entrada de 500 mil imigrantes por ano até pelo menos 2030 para absorver a queda do crescimento demográfico e o envelhecimento populacional.
Segundo as sondagens, o Partido Liberal Democrático da primeira-ministra pode conquistar uma maioria de mais de 233 lugares em 465 na Câmara Baixa, um forte aumento em relação aos 198 lugares atuais e um lugar acima do limiar da maioria absoluta. O parceiro de coligação, o Partido da Inovação do Japão ou Ishin, a aliança que toma conta do governo, alcançará cerca de 300 lugares. A dúvida, portanto, é saber se os liberais conseguem ou não formar um governo de uma só cor política. Do outro lado, o maior partido da oposição, a Aliança Reformista Centrista, está a enfrentar dificuldades e pode perder metade dos 167 luares que mantém na câmara.

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