Skip to main content

Primeira constelação portuguesa de satélites chega hoje ao espaço à boleia da SpaceX

Constelação de satélites vai criar a 'Waze' dos oceanos para fornecer dados de navegação marítima em todo o mundo em tempo real. Satélites portugueses chegam ao espaço à boleia da SpaceX de Elon Musk.

A primeira constelação portuguesa de satélites chega esta segunda-feira ao espaço à boleia da SpaceX de Elon Musk.

Vão partir a bordo do foguetão Falcon 9 (que faz umas aterragens espetaculares) da Base Espacial de Vandenberg, na Califórnia, EUA, que pertence à United States Space Force, o ramo espacial das Forças Armadas dos EUA.

A sua missão é criar um serviço de navegação marítima para dar informação aos navios em tempo real, tal como a aplicação Waze faz com os automóveis em terra.

Camões, Pessoa, Saramago e Agustina Bessa-Luís são o nome dos quatro satélites da constelação Lusíada. O primeiro foi lançado no início de 2025. Com cinco satélites em órbita, já vão poder comunicar entre si e conseguir cobrir melhor a Terra, mas a ideia é lançar um total de 12 para a constelação ficar completa.

Até chegar lá cima, "é muito rápido, são cerca de dez minutos", conta ao JE Ivo Vieira, CEO da Lusospace empresa portuguesa de engenharia que desenvolve este projeto que implica um investimento de 15 milhões de euros.

Os satélites entram em órbita a 500 km de altitude, mas depois apanham boleia de uma pequena nave: a D-Orbit que os coloca no destino final, a 550 km de altitude, o que deverá demorar dez dias.

Para a constelação começar a enviar dados são precisos três meses. Nesta altura, os dados começam a ser disponibilizados aos clientes.

Mas a constelação só estará totalmente completa, em princípio, até ao final do ano, com dois lançamentos previstos dos restantes satélites.

Para que é que vai servir esta informação? Vai detetar e transmitir vários dados que incluem: informações meteorológicas, de marés, do fundo do mar, avistamento de piratas, emergências, derramamento de petróleo, icebergues, comportamentos invulgares como o desligar dos sistemas de rastreio, e apoiar operações contra a pesca ilegal.

Sobre os potenciais clientes, Ivo Vieira diz: "Temos já contratos em cima da mesa, mas ainda não assinámos. Querem ver primeiro os satélites a funcionar. Estamos a procurar clientes na Europa e a nível mundial".

Quem vai procurar este serviço? "A maior parte dos nossos clientes são empresas que querem dados para fazer análises dos dados para eles próprios venderem a seguradoras ou outros tipo de empresas".

A companhia espera estar a gerar uma receita anual de 100 milhões de euros até ao final da década.

Num mundo em que se fala cada vez mais de ameaças no espaço por parte de atores hostis, o presidente da Lusospace garante: "temos as medidas para proteção para isso. Embora acreditamos que no nosso caso, não somos um alvo tão apetecível. Temos um nicho de mercado".

Quanto custa usar o serviço partilhado da SpaceX? 350 mil dólares até 50 kg, mais 7 mil dólares por quilo extra, segundo a empresa fundada por Elon Musk. A companhia é conhecida por ter aberto as portas do espaço à iniciativa privada, como se pode comprovar pela Constelação Lusíada.

Em janeiro de 2025, foi lançado o PoSAT-2, o primeiro desta constelação, precisamente em homenagem ao primeiro satélite lançado em 1993 concebido pela equipa de Fernando Carvalho Rodrigues, o físico que é considerado o ‘pai’ do espaço português e com quem Ivo Vieira trabalhou.