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Preços do petróleo e gás respiram de alívio com tréguas de Trump e Irão

Donald Trump terá anunciado tréguas para tentar acalmar mercados. Washington terá conversado com o porta-voz do Parlamento do Irão. Teerão negou negociações com os EUA. EUA querem controlar estreito de Ormuz em conjunto com o Irão.

Os preços do petróleo e do gás respiraram de alívio na segunda-feira com as tréguas alcançadas entre Donald Trump e o Irão.

O presidente norte-americano anunciou uma trégua de cinco dias com o Irão, com ambos os lados a absterem-se de ataques a infraestruturas energéticas durante este período.

Depois de começar o dia a subir, os mercados energéticos reagiram em baixa à notícia.

O petróleo recuava mais de 10% para 95 dólares ao final da tarde de segunda-feira, com o gás na Europa a descer mais de 5% para 56 euros/MWh.

A decisão de Donald Trump de recuar na sua ameaça de destruir as infraestruturas energéticas do Irão foi tomada após vários avisos por parte de aliados dos EUA e de países do Golfo Pérsico, segundo a "Bloomberg" que cita fontes com conhecimento do tema. Os países do Golfo avisaram que a destruição da infraestrutura iria dar origem a um estado falhado após o fim do conflito.

O presidente também fez o anúncio de tréguas com o objetivo de acalmar os mercados, tendo tido lugar antes de Wall Street abrir na manhã de segunda-feira.

As Forças Armadas dos EUA disseram que já destruíram 140 navios de guerra do Irão, tendo atingido mais de 9 mil alvos.

Já o primeiro-ministro de Israel disse que os ataques vão continuar por agora, e que os seus ataques mataram mais dois cientistas nucleares iranianos recentemente.

O porta-voz do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf foi identificado pela "Axios" como o interlocutor de Donald Trump. Ghalibaf acabou por vir negar que estavam a decorrer negociações com os EUA.

Já o ministério dos Negócios Estrangeiros disse ter recebido mensagens de países amigáveis a indicar que os EUA queriam negociar para terminar a guerra. "Existem iniciativas de países regionais para reduzir tensões".

O conselheiro do líder supremo disse que a guerra vai continuar até as sanções serem levantadas e que os danos causados ao Irão devem ser compensados.

Na segunda-feira, Trump admitiu que os EUA podem vir a controlar o estreito de Ormuz em conjunto com o ayatollah do Irão.

Donald Trump prometeu que o estreito vai "abrir muito em breve", admitindo o controlo conjunto desta crucial via marítima por si e pelo "ayatollah, seja quem for".

O estreito de Ormuz era por onde passava 20% do petróleo e do gás do mundo, até ao início da guerra, quando o Irão bloqueou o acesso.

Sobre as negociações com o Irão disse que está a falar com uma "pessoa de topo" no Irão, segundo a "CNN".

"Ainda existem alguns líderes. Estamos a lidar com o homem que eu acredito ser o líder e o mais respeitado", segundo Trump, rejeitando que esteja a negociar com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei.

A "Axios" revelou que a Turquia, Egipto e Paquistão têm estado em contacto com os EUA e o Irão para tentar chegar a um cessar-fogo e, eventualmente, um acordo de paz.

Os três países têm negociado, em separado, com o enviado especial de Trump para o Médio Oriente Steve Witkoff, e com o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros Abbas Araqchi.

Este ministério disse que haviam "iniciativas" para reduzir tensões, mas que quer os EUA a participar diretamente, avançou a agência noticiosa Mehr.

Até agora, foram atingidos 15 pontos de acordo entre Washington e Teerão, incluindo o compromisso de que o Irão não vai procurar ter armas nucleares no futuro.

Sobre a intenção de aliciar sanções ao crude iraniano, disse que o objetivo é aumentar o petróleo no mercado para evitar uma crise energética, considerando que não "fará qualquer diferença" na guerra.

Donald Trump anunciou hoje cinco dias de tréguas com o Irão após negociações. Desta forma, Washington e Teerão vão se abster de atacar alvos energéticos.

O presidente norte-americano tinha ameaçado começar a atacar centrais elétricas no Irão, se o país não reabrisse o estreito de Ormuz. Por sua vez, Teerão também ameaçou atacar centrais de produção de eletricidade no país.

Trump revelou que os EUA estiveram em negociações com o Teerão e que chegaram a acordo, depois de "conversações muito boas e produtivas" com o objetivo de atingir uma "resolução total e completa das hostilidades no Médio Oriente".

As negociações vão continuar ao longo desta semana, com Trump a dar ordens ao Ministério da Guerra para "adiar todos e quaisquer ataques militares contra as centrais energéticas iranianas" durante um período de cinco dias, sujeito ao "sucesso das discussões".

Entretanto, Israel está esta segunda-feira novamente a atacar o Irão.

Por sua vez, o regime de Teerão disse hoje que não manteve qualquer negociação com Donald Trump e que o presidente norte-americano decidiu as tréguas unilateralmente.

"Não houve comunicações diretas ou indiretas com Trump", disse a agência iraniana Fars, citando um alto responsável de segurança, sob anonimato.

"Ele retirou-se após ouvir que os nossos alvos seriam centrais elétricas em toda a Ásia Ocidental", segundo a mesma fonte citada pela "Bloomberg".

Já a agência iraniana Tasnim News também cita um alto responsável da defesa, também anónimo, que garante que o estreito de Ormuz vai manter-se fechado. Sobre o anúncio de Trump, considera que é guerra psicológica e que o regime vai continuar a defender o seu país. A ideia de Trump, segundo este responsável, é tentar baixar os preços de energia nos mercados internacionais.

Ambas as agências são consideradas próximas da Guarda Revolucionária do Irão.

Já a "Reuters" revelou que Trump concordou coma operação militar no Irão, 48 horas antes, ao dar o seu apoio ao ataque de Israel contra o líder supremo Ali Khamenei e os seus principais responsáveis. Israel tinha a informação de que iriam encontrar-se todos no complexo de Khamenei no sábado. O encontro, algo raro, deu origem a um "ataque de decapitação", que Israel usa regularmente para eliminar as cúpulas de poder de um estado ou de uma organização. O encontro era para ter tido lugar a 28 de fevereiro à noite, mas acabou por ser alterado para sábado de manhã. Na chamada com Trump, Benjamin Netanyahu defendeu o ataque considerando que não haveria uma segunda oportunidade para eliminar Khamenei e para vingar a tentativa de assassinato de Trump em 2024, alegadamente planeada por Teerão.