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Portugal teve a quinta maior subida de imigração na UE dos últimos anos

Portugal mais do que duplicou o número de imigrantes (105,6%) em três anos, até o início de 2025, mas há quatro estados-membros em que o acréscimo foi maior. Na relação com a população total, registou a segunda maior subida, de 6,45 pontos percentuais, fixando-se em 13,5%. Torna-se no 10.º país com mais residentes estrangeiros.

Portugal foi o quinto país europeu em que o número de residentes estrangeiros mais cresceu entre o início de 2022 e o de 2025, de 748,1 mil para 1,54 milhões de pessoas.

Os números do INE, publicados na semana passada, permitem ir mais longe — até 31 de dezembro de 2025 (ou 1 de janeiro de 2026, na lógica do Eurostat), quando Portugal tinha 1,6 milhões de imigrantes. No entanto, o gabinete de estatísticas europeu ainda não disponibilizou os dados europeus mais recentes.

A revisão populacional do Instituto Nacional de Estatística permite então concluir que apenas quatro estados-membros tiveram uma maior subida nos três anos terminados a 1 de janeiro de 2025, de acordo com as contas do Jornal Económico (JE): Lituânia (336%), Croácia (328%), Roménia (157%) e Bulgária (131%). Portugal surge a seguir com 105,6%.

Há, no entanto, uma diferença relevante face a estes países de leste. É que, mesmo depois do elevado crescimento, os quatro estados-membros continuaram na cauda da Europa em termos de proporção de imigrantes, porque tinham uma base baixa: a Lituânia — que, neste pequeno lote, era o país com maior incidência de residentes estrangeiros — não passava de 21.º lugar no ranking europeu, com 5,18% da população. Portugal, por sua vez, estava um pouco acima do meio da tabela, em 10.º lugar, segundo as contas do Económico, após os 13,51% registados pelo INE — que aumentariam para 14% no ano seguinte.

Antes da pandemia, entre 2016 e 2019, Portugal esteve sempre no 20.º lugar, evoluindo depois para 19.º em 2020, 18.º em 2021 e 17.º em 2022. Apenas em 2023 houve um salto maior, para a 12.ª posição, voltando depois a ascender de forma gradual: 11.º em 2024 e 10.º a 1 de janeiro de 2025.

Segunda maior subida na proporção de imigrantes

A proporção de imigrantes em Portugal cresceu 6,45 pontos percentuais (face aos 7,06% do início de 2022), o que constitui o segundo maior salto europeu neste período, segundo as contas do JE. Apenas Malta registou uma subida mais acentuada (+7,05 pontos percentuais), passando a ter 29,4% de estrangeiros. A lista continua com Lituânia, Chéquia, Irlanda, Croácia e Estónia. Espanha é o 10º país em que essa proporção mais cresceu (2,47 p.p). França é o 16º (1,37 p.p).

A tabela é naturalmente liderada pelo Luxemburgo (47% de imigrantes), seguido de Malta (29,4%), Chipre (24,8%), Áustria (20%) e Estónia (17,9%), enquanto Irlanda (16,1%), Alemanha (14,8%), Espanha (14,1%), Bélgica (14%) e Portugal fecham o top 10. França está em 14.º (9,4%), seguida por Itália (9,1%), enquanto a Grécia ocupa o 20.º lugar. Os países que menos imigrantes acolhiam eram a Roménia, a Eslováquia e a Polónia (todos entre 1,2% e 1,9%).

Em termos absolutos, Alemanha, Espanha e França tinham, em conjunto, 25 milhões de imigrantes, mais do que os restantes 24 Estados-membros somados (19,5 milhões). Não havendo revisões adicionais de outros países, a UE acolhia, no início de 2025, 45 milhões de imigrantes (incluindo os de outros Estados-membros), ou seja, 10% da população.

Fim da polémica

Portugal foi, durante largos meses, o único país da União Europeia que não reportou dados sobre migrações. Ainda hoje, as tabelas do Eurostat têm esse vazio, mas não deverão permanecer assim por muito tempo, uma vez que o problema foi finalmente resolvido com a revisão do INE.

O INE acabou por mudar a metodologia de recolha de informação, complementando os dados por amostragem e inquéritos com números das escolas, da Segurança Social e das Finanças, entre outros. Os dados relativos a residentes estrangeiros foram, por isso, substancialmente alterados, tornando-se agora semelhantes aos da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

A população residente estrangeira no país ascendia então a 1,6 milhões a 31 de dezembro de 2025 (ou 1 de janeiro de 2026, na lógica do Eurostat), o que representa 14% da população, sensivelmente o dobro dos 7,1% registados no final de 2021 (quando havia 748 mil imigrantes). Portugal passou a ter 11,5 milhões de habitantes.

Os números confirmam ainda que o ritmo da imigração foi travado a fundo em 2025, na sequência das medidas restritivas do Governo, mas, ainda assim, havia mais 59 mil do que no ano anterior. O pico foi registado no final de 2022 (326 mil pessoas), abrandando depois para 275 mil em 2023 e 188 mil em 2024 — ano em que o executivo acabou com a figura da “manifestação de interesse”.

O saldo das entradas e saídas de imigrantes foi de 849 mil ao longo de quatro anos. Sem imigração, a população teria diminuído em 141 mil.