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Portugal mantém atratividade para investidores estrangeiros

Há disponibilidade de capital, oportunidades identificadas e negócios já em curso. O mercado continua vibrante, o que sustenta o otimismo dos agentes. O foco está nos processos de transição – digital e energética –, que chamam investimento, mas também nos movimentos de consolidação de setores mais fragmentados. Portugal mantém-se atrativo e no radar dos investidores.

O capital aplicado nos negócios de fusões e aquisições em Portugal aumentou 28,15% no ano passado, face a 2024, para 17,56 mil milhões de euros, segundo os dados da TTR Data. É o mais elevado desde 2021. O número de operações baixou, mas residualmente, caiu 0,46%, para 655. Foi um fecho em alta, quando o ano anterior tinha sido de quebra, e a operação que mudou tudo foi a venda do Novobanco ao grupo Banque Populaire – Caisse d’Épargne, num negócio anunciado de 6,4 mil milhões de euros, que ascenderá a mais contando com a participação estatal.
No início deste ano, nos dois primeiros meses, ainda antes do ataque ao Irão, a tendência é de quebra, de 3% no capital mobilizado e de 29% no número de transações (ver texto nesta edição), mas, apesar deste regime de montanha-russa, os agentes do mercado consideram que o potencial se mantém e está a ser concretizado.
“Portugal continua a ser atrativo para o investimento estrangeiro”, afirma ao Jornal Económico (JE) Tomás Vaz Pinto, coordenador de Corporate e M&A da ML. “Contrariamente a alguns anos anteriores, em janeiro e fevereiro não houve abrandamento e continuamos a receber muitas solicitações”, diz. “Temos a equipa bastante ocupada”, garante.
“Portugal continua firmemente no radar de investidores internacionais e estratégicos, com um perfil de risco-retorno atrativo e enquadramento europeu estável”, reforça Tiago Valente de Oliveira, sócio de Corporate e M&A da CMS Portugal.
Mesmo com as oscilações, a verdade é que o mercado português representa mais de 10 mil milhões de euros anuais, consistentemente, desde 2021, e mostra-se forte desde 2015, quando chegou aos nove mil milhões, repetidos um ano depois, o que mais do que duplica os valores médios dos anos anteriores. Tanto o mercado da advocacia de negócios como o da consultoria especializada cresceram a reboque disto mesmo.
Continua a haver operações em preparação, mesmo que a prudência tenha feito deslizar os prazos. “O pipeline de M&A em Portugal mantém-se robusto, em linha com o dinamismo que se verifica atualmente no mercado europeu”, diz João Vaz, partner de Transactions & Corporate Finance da EY-Parthenon. “O ano passado foi bom e a tendência mantém-se”, reforça Tomás Vaz Pinto.
Este dinamismo, que suporta o otimismo dos agentes, justifica-se com um setor de private equity especialmente ativo, que tem liquidez disponível, e com um interesse consistente de fundos internacionais e investidores estratégicos. Depois, pela oportunidade. Desde logo, “um tecido empresarial ainda relativamente fragmentado em vários setores”, assim como processos de sucessão empresarial, particularmente em empresas familiares, que chamam operações de concentração, e “empresas com forte vocação exportadora”, diz André Matias de Almeida, sócio da Proença de Carvalho. “Além de transações pontuais de grande dimensão, há espaço para consolidações setoriais e para operações mid market, suportadas por teses de escala, ganhos operacionais e digitalização”, diz Tiago Valente de Oliveira.
Matias de Almeida acrescenta aqui o papel central que o Banco Português de Fomento pode assumir.

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