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Portugal depende do automóvel para trabalhar e ir para a escola

O carro é o principal meio de transporte usado pelas pessoas nas suas deslocações. De Norte a Sul, nos Açores e na Madeira. Sem combustível na bomba, o país parava.

O automóvel é os pés da maior parte dos portugueses. O principal meio de transporte utilizado nas deslocações do dia-a-dia por 79% dos inquiridos a nível nacional no âmbito do Barómetro das Cidades, publicado esta semana pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).
A dependência do carro próprio para ir de casa para o trabalho ou de casa para o sítio onde se estuda estende-se a todo o país - 92 225 km², incluindo Portugal Continental, Açores e Madeira. Embora estatisticamente, as diferenças não sejam significativas, é nas cidades pequenas que as pessoas mais dependem das quatro rodas.
A Área Metropolitana de Lisboa (AML) é aquela onde se utiliza menos o carro: 69% versus 79%, média nacional. Numa comparação com a média das cidades europeias analisadas no inquérito Quality of Life in European Cities da Comissão Europeia (48%), a diferença não é pequena: 30 pontos percentuais.
Num contexto de incerteza geopolítica e elevada volatilidade do crude e, por consequência dos combustíveis, a dependência do automóvel, para a qual o Barómetro da FFMS chama inevitavelmente a atenção, é um calcanhar de aquiles. Até porque, apesar do aumento dos preços, o tráfego rodoviário e o consumo de combustíveis não param de crescer. O alerta, dado há uma semana pela associação ambientalista Zero, cimenta-se nos dados. No primeiro semestre de 2026 foram percorridos nas principais estradas analisadas pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), 13,2 mil milhões de veículos-quilómetro, contra 12,8 mil milhões no período homólogo. Mais 388 milhões, ou seja, 3%.
A circulação cresceu 3%, mas o consumo aumentou 1,7%, o que sugere que a eletrificação e a eficiência estão a amortecer o efeito, mas não a inverte-lo.
Regressando ao Barómetro. É na AML que há maior proporção de agregados familiares sem carro (14%). Na congénere do Porto e nas Regiões Autónomas são 12%, o dobro do que se observa nas outras cidades portuguesas.
Segundo o documento, o uso do transporte público aumenta na razão inversa ao do carro. Aumenta também com o tamanho das cidades, atingindo 44% na AML e 34% na Àrea Metropolitana do Porto. Nas cidades pequenas do litoral cai para 14% e nas do interior para 13%.
Não são os custos os principais obstáculos apontados para não usar o transporte público. Os portugueses respaldam-se na “frequência insuficiente”, na “fraca articulação entre diferentes meios de transporte” e, sobretudo no caso da AML, “na falta de fiabilidade e pontualidade”. 
Uma em cada cinco pessoas no país gasta pelo menos duas horas por dia em deslocações pendulares. Na AML, região com o tempo médio mais elevado, são 80 minutos, que comparam com 58 minutos nas cidades do interior. Ainda assim, é tempo!

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