O preço do barril de petróleo chegou a disparar mais de 8% na quarta-feira devido ao aumento das tensões entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, atingindo um máximo de duas semanas. Novos ataques norte-americanos a alvos iranianos, fim do cessar-fogo entre os dois países, e sanções dos EUA ao petróleo iraniano justificam a subida. E analista já alertam para a continuação da subida nos preços da matéria-prima.
Por altura do fecho de Wall Street o brent subia mais de 5% para os 78 dólares e o crude valorizava mais de 4% para os 73 dólares. Analistas alertam que face a este contexto o preço do petróleo pode subir.
"Os dados divulgados durante a noite [de terça-feira] sobre as reservas de crude nos Estados Unidos mostraram uma redução de 400 mil barris. Ao mesmo tempo, os ataques com drones ucranianos contra refinarias russas prosseguiram, afetando sobretudo as exportações de gasóleo, mas contribuindo também para deteriorar o sentimento em torno do mercado energético global. Neste contexto, os investidores continuarão atentos à evolução da situação no Golfo Pérsico. Quanto mais tempo persistir o recrudescimento do conflito, maior será a probabilidade de os preços do petróleo continuarem a subir", assinalou o CEO da ActivTrades, Ricardo Evangelista.
"A subida do petróleo agravou os receios de inflação persistente e de condições financeiras mais restritivas", acrescentou o analista da ActivTrades Europe, Henrique Valente.
O analista de energia da MST Marquee, Saul Kavonic, disse, citado pela Moneyweb, que este aumento de preços [no petróleo] é “um lembrete para o mercado de quão frágil" ainda é a passagem pelo Estreito de Ormuz. "Isto contraria o sentimento predominante de que o mercado poderia ser inundado por excesso de oferta e poderia levar alguns dos investidores que estão com posições curtas recorde a liquidá-las", alertou.
Já a diretora de investigação macroeconómica da WisdomTree, Aneeka Gupta, considerou, citada pela publicação Investing, que o aumento da tensão entre os EUA e o Irão, é um "grande alerta" para os mercados, porque a expectativa era de que, após o memorando de entendimento [assinado a 17 de junho], provavelmente "começaríamos a ver o fluxo de petróleo a regressar" aos mercados.
"E vimos as expectativas de inflação a diminuir. A forma como estamos a ver agora é que o que mudou materialmente foi o fim da isenção (para o petróleo iraniano). Isto retirou um incentivo muito importante para o cumprimento das exigências por parte do Irão", acrescentou Aneeka Gupta.
O estrategista de macroeconomia da Bloomberg, Skylar Montgomery Koning, disse, citada pela Swissinfo, que seria "necessário" um movimento "muito maior" no preço do petróleo para superar outros factores que influenciam o desempenho das ações. "A escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irão representa um risco de queda, mas, sem um aumento muito maior dos preços das matérias-primas, é pouco provável que tenha um impacto significativo nos mercados acionistas", sublinhou.
Novos ataques fazem petróleo disparar
Este disparo no petróleo deveu-se a três grandes fatores. Um deles foi os ataques norte-americanos a 80 alvos iranianos ocorridos na terça-feira, como confirmado pelo Centro de Comando dos EUA (CENTCOM). Os Estados Unidos referiram que estes ataques foram retaliação a ataques iranianos a três navios que circulavam no Estreito de Ormuz.
Três navios foram atingidos em 24 horas nesta passagem marítima, de acordo com a agência de segurança marítima britânica UKMTO, com o Qatar e a Arábia Saudita a imputarem dois desses ataques ao Irão, apesar do cessar-fogo entre Teerão e Washington.
A vice-reitora do Centro de Assuntos Globais da Universidade de Nova Iorque, Carolyn Kissane, citada pela Moneyweb, disse que estes ataques norte-americanos a alvos iranianos "enviam um sinal ao Irão de que não pode agir impunemente, sem correr o risco" de um regresso às hostilidades. "Esta é a nova normalidade — um cessar-fogo que na verdade não é um cessar-fogo — e vamos ver episódios como este periodicamente. Os mercados já se estão a habituar a isso", assinalou.
Para o estrategista chefe de investimento da Saxo Markets, Charu Chanana, citado pela Energy Connects, os ataques [dos EUA a alvos iranianos] "lembram os investidores que a negociação para a desescalada no Médio Oriente ainda é frágil". Charu Chanana acrescentou que o mercado "pode recuperar um pouco do prémio de risco do Estreito de Ormuz, mas não parece que estejamos a precificar uma rutura completa ainda".
O segundo motivo para a subida do petróleo foi o anúncio, na quarta-feira, pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, do fim do cessar-fogo com o Irão. Pelo meio o governante norte-americano apelidou os líderes iranianos de "escumalha e mentirosos".