"Os níveis de incerteza aumentaram, mas há bastante resiliência em termos económicos", é o diagnóstico feito pelo presidente-executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, às mudanças globais a nível geoestratégico.
Paulo Macedo destacou que a Europa depara-se com "várias questões" neste momento. Uma delas, é "como atuar no panorama internacional sem o seu aliado americano".
Macedo faladava durante a abertura do Encontro Fora da Caixa que teve lugar esta terça-feira, 3 de março, em Sines.
Apesar da "incerteza" ter aumentado, "podia-se esperar maior volatilidade, em termos de preços de ativos, em termos de cotações bolsistas. Há esta volatilidade nos preços do petróleo..., mas no ano de 2025 vimos a valorização de vários ativos", apontou, aproveitando para recordar as palavras do Papa Francisco ("estamos numa nova era"), que teve início a partir de janeiro de 2025 com o regresso de Donald Trump à Casa Branca.
"Houve uma rutura de pressupostos, de alianças, de multilateralismos e instituições internacionais", enumerou. Na diplomacia, "umas vezes bastante musculada, outras vezes mais orientada para negócios, e as tarifas têm sido utilizadas como instrumento de pressão: quer como instrumento puramente económico, quer como instrumento de defesa nacional, também como ferramenta de captação de investimento estrangeiro", disse.
"Há uma nova forma de atuação em vários capítulos. Isto leva a que, por exemplo, muitos comentadores digam que o presidente americano gere a América como se fosse um CEO porque persegue um conjunto de negócios. Essa parte é novidade", destacou.
Depois, "outra parte que aparece de forma mais acentuada é que o micro é cada vez mais macro. Há um conjunto de grandes empresas que tem uma grande influência na política macroeconómica. Sempre foi assim, mas agora com um acentuar bastante distinto".
Por outro lado, sublinhou a "utilização de recursos militares de forma distintiva, sem autorizações do Senado, o que gera novas formas de atuação na comunidade internacional".
Em termos de alianças, apontou que, durante muito tempo, o facto de os EUA serem aliados da Europa, permitiu ao Velho Continente "não ter um gasto significativo em defesa", mas que agora vai obrigar a "aumentar a despesa orçamental nesta via", alertando para os "investimentos redundantes" nesta área, com o risco de "algum tipo de duplicação ou uma pior afetação dos recursos", em termos de armamento, comunicações, cabos submarinos ou satélites.