Passado dois meses do início da sua parceria com a tecnológica britânica Sage, a startup portuguesa Augusta Labs afirma ao jornal Económico (JE) que esta está a correr “de forma muito positiva”.
A missão da startup portuguesa nesta parceria é ajudar as empresas a desenvolverem e escalarem a transformação em inteligência artificial (IA). Assim a portuguesa funciona como “um centro de excelência em IA aplicada dentro da Sage, com engenheiros a trabalhar em plataformas globais, incluindo Sage Payroll, Sage Active e Sage 300”, explica ao JE.
Neste âmbito, a Augusta Labs refere que a parceria começou com “um projeto focado para testar se as equipas especializadas integradas, a trabalhar com o conhecimento de domínio da Sage e o contexto do cliente, poderiam lançar funcionalidades de IA de alto impacto significativamente mais rápido do que uma abordagem convencional. Essa hipótese foi confirmada”.
Em sete semanas as empresas entregaram a primeira funcionalidade em produção, Payslip Insights potenciado por IA, e já está ativa em 500 pequenas e médias empresas (PME) em Portugal.
Neste momento há já várias equipas da startup portuguesa a trabalhar em paralelo em diferentes produtos da Sage, “com funcionalidades já ativas e outras em desenvolvimento, juntamente com iniciativas mais estruturais que estão a moldar a próxima geração de produtos Sage”.
Este produto já está a ser “alargado a outros mercados, com a África do Sul como próxima fase, e o próprio padrão de entrega, rápido, rigoroso e repetível, está a ser aplicado em processamento salarial e noutras áreas de produto”. “A ambição mais ampla é combinar os dados de domínio e a confiança do cliente da Sage com capacidade de engenharia em IA para construir uma nova geração genuína de software empresarial”, refere.
Os resultados deste produto mostram uma poupança de cerca de “25-30 minutos por cada pedido de esclarecimento sobre recibos de vencimento para contabilistas”. Esta é uma tarefa que requer compreender muitas variáveis especificas de cada empresa e colaborados. Até ao momento não existia nenhum modelo “pronto para produção”, mas “três semanas de engenharia dedicada em IA aplicada, apoiada no conhecimento de domínio da Sage, levaram o sistema a 99,8% de qualidade utilizando modelos economicamente eficientes. A tecnologia não resolve o problema sozinha. O verdadeiro trabalho é transformar a capacidade de IA em algo fiável em escala”, aponta.
Para os clientes este produto resulta numa menor carga de trabalho rotineira, o que numa empresa com muitos clientes se nota bastante. “A reação dos early adopters em Portugal vai além da satisfação com a funcionalidade”, afirma. “O assistente de email inteligente, que interpreta mensagens de clientes, recolhe dados do sistema e redige respostas contextualizadas, tem um efeito semelhante: melhorias incrementais, integradas nos fluxos de trabalho diários, que mudam de forma significativa a forma como os profissionais utilizam o seu tempo”, explica.
Na opinião da Augusta Labs a hesitação que possa existir por parte dos clientes na adoção destas tecnologias “dissolve-se rapidamente assim que os clientes experienciam precisão num domínio que lhes é relevante”.
“O nível exigido para qualquer funcionalidade chegar à produção é, por isso, elevado: enquadramentos de avaliação rigorosos, métricas de precisão, transparência de origem e supervisão humana estão integrados no processo. O limiar de qualidade de 99,8% para o Payslip Insights não foi definido arbitrariamente. Foi estabelecido por especialistas de domínio que compreendem exatamente o que uma explicação correta e útil exige. Cumpri-lo foi condição de implementação, não uma meta pós-lançamento”, explica.
Para além deste produto, as empresas têm outros casos de uso em produção e em desenvolvimento avançado, como é o caso do Insights agregados para gestores, o Cash-flow intelligence e a assistente de email inteligente.
Portugal como hub europeu de startups
Em fevereiro o ranking ‘Europe’s leading startup hubs 2026’ do Financial Times colou 12 hubs portugueses entre os melhores da Europa, sendo a Unicorn Factory o primeiro a aparecer.
Este reconhecimento não é dado por acaso, uma vez que o país “tem talento técnico forte em engenharia de software e IA”, reflete a empresa. “Este projeto é um exemplo concreto do que esse talento produz. A Augusta Labs é uma empresa portuguesa a entregar IA em produção com padrão global. Portugal contribui para este trabalho e beneficia dele simultaneamente”, refere.
Na opinião da Augusta Labs “Portugal está rapidamente a emergir como um hub europeu de startups orientadas por IA, combinando talento de engenharia sólido, políticas governamentais de apoio e um ecossistema em crescimento”.
Apesar destas oportunidades e capacidades, a startup portuguesa alerta que “mesmo com capacidades de IA existentes, integrá-las de forma fiável em fluxos de trabalho empresariais reais e em escala de produção representa anos de trabalho. Uma grande parte do valor que a IA vai criar em software empresarial ainda está por realizar”.
A parceria entre a Sage e a Augusta Labs mostra o papel que as startups portuguesas têm na estratégia global de produto. “Uma empresa portuguesa está a moldar a arquitetura de IA dos produtos globais de processamento salarial e contabilidade da Sage, contribuindo com funcionalidades agora implementadas em múltiplos mercados. A execução reflete uma equipa a operar com padrão mundial”.
“Quando ocorre uma mudança de paradigma tecnológico, o que importa é a capacidade de explorar novas arquiteturas rapidamente e transformar ideias em sistemas de produção. É isso que startups portuguesas com a capacidade certa podem contribuir para uma estratégia de produto global, e foi isso que esta parceria demonstrou”, aponta.