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ONU entre a irrelevância, as dívidas e a concorrência

Problemas crónicos acumulam-se há décadas, mas nunca houve um plano que enfrentasse as suas causas e tentasse mitigar os seus efeitos - salvo o corte cego das despesas.

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e o presidente da Assembleia-Geral, Khalilur Rahman, usaram as suas intervenções na 81ª sessão da assembleia magna (que decorre entre 22 e 28 de setembro) para classificar a atual estrutura da organização como “injusta e indefensável”, afirmando explicitamente que o Conselho de Segurança reflete o mundo de 1945 e não a realidade geopolítica contemporânea. É uma exigência antiga, historicamente antiga, que, de forma algo paradoxal, nunca foi acompanhada por uma proposta concreta que pudesse ser votada pelos 193 países que têm lugar na Assembleia-Geral. Qualquer proposta enfrentaria o veto do Conselho de Segurança – o órgão máximo da ONU, precisamente aquele que reflete o mundo de há oito décadas, desaparecido sob os escombros de novas guerras, renovados contenciosos e alianças improváveis. Mas seria uma espécie de ‘statement’ de 188 países (no limite) contra cinco nações afetadas pela surdez do seu privilégio.
Todos os analistas concorrem para o mesmo ponto: a ONU enfrenta a irrelevância como futuro provável – e só divergem sobre a altura em que isso sucederá. Os mais cáusticos afirmam que essa irrelevância já chegou em pleno, e o facto de a organização não ter qualquer influência que se vislumbre nos conflitos mais significativos – salvo talvez o acordo que permitiu a venda de cereais ucranianos com passagem pelo Mar Negro (e mesmo aí nada teria sucedido se não fosse a Turquia) – são disso prova.
O peso da dívida…

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