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O vírus do luxo

Há 80 mil portugueses a viajar em cruzeiros no Mediterrâneo, Caraíbas, Bahamas e até no Alasca. O hantavírus parece não ter beliscado o negócio e alguns pagam 25 mil euros por noite numa suíte com mordomo 24 horas por dia. As empresas continuam a investir em luxo, novos destinos e superiates de última geração.

Um ginásio privado ao ar livre com vista para o oceano, terraço exclusivo para banhos de sol e um mordomo disponível 24 horas por dia. Nos mais recentes navios de cruzeiro de luxo, os passageiros podem desfrutar de experiências pensadas para rivalizar com os melhores hotéis do mundo, enquanto navegam entre destinos paradisíacos. Em algumas destas suítes, uma única noite pode custar mais de 25 mil euros. A indústria dos cruzeiros vive uma nova era de prosperidade. Impulsionadas pela procura de viajantes com elevado poder de compra, as operadoras investem em navios cada vez mais sofisticados, equipados com spas privados, restaurantes de alta gastronomia, serviços personalizados e alojamentos que mais se assemelham a apartamentos de cinco estrelas. O objetivo é claro: oferecer exclusividade, privacidade e conforto num mercado em rápida expansão.
Apesar da atenção gerada pelos casos de infeção por hantavírus associados a viagens de cruzeiro, o episódio não teve impacto no ritmo de crescimento do setor. Os portugueses continuam disponíveis para explorar tanto destinos de proximidade, como as Canárias, ou viagens de longo curso para locais mais remotos, entre os quais o Alasca. “Os clientes não cancelaram as reservas e alguns até já marcaram três ou quatro viagens até ao final do ano”, afirma Fernando Santos, diretor-geral da agência GlobalSea CruiseXperts ao Jornal Económico. “A generalidade dos viajantes compreendeu que se tratou de um caso isolado, mantendo a confiança num produto que se carateriza por elevados padrões de higiene, saúde e segurança”, sublinha Pedro Quintela, diretor geral de vendas da Agência Abreu.

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Reportagem