As nuvens pairam, baixas e imóveis. Parecem pintadas pela mão humana. Parecem-se com aquelas que enchem a paisagem em “Paris Texas”, de Wim Wenders. Quando o carro rola estrada fora. Chicago ficou para trás, Illinois e o Missouri também. Já não estamos no filme. Estamos na mítica Route 66. A paisagem desfila. Kansas, Oklahoma, Texas e Novo México lembram muitos outros filmes. Dão-nos vislumbres do ‘American way of life’. Sem querermos, a expressão levanta celeuma. “American”? De norte a sul, o continente é América. Todos reivindicam ser americanos, e bem. Mas, no imaginário coletivo, europeu incluído, América atira-nos de imediato e sem rede para a nação que se intitula como Estados Unidos da América. Rasgamos o Arizona, a aridez e os tons ocres na expectativa de chegar ao mar, a Santa Monica, Califórnia. Tempo suficiente para ouvir os álbuns de Bad Bunny, o novo tsunami musical “made in Puerto Rico”. Janela aberta, num coast to coast imaginário, rolamos ao som de BAILE INoLVIDABLE. “Pensaba que contigo iba a envejecer / En otra vida, en otro mundo podrá ser / En esta solo queda irme un día...”.
O que nos diz o êxito de Bad Bunny sobre os EUA e o mundo?
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Bad Bunny não teve de ‘americanizar-se’ nem de cantar em inglês para o público se render. Em Porto Rico, onde nasceu e cresceu, e onde tem o seu refúgio. Nos Estados Unidos e no mundo inteiro. A indústria leu bem o que faz vibrar multidões e deu-lhe os minutos do Olimpo, leia-se o intervalo do Super Bowl. Imparável, Bad Bunny esgota concertos em todo o lado. Os dois previstos para maio, em Lisboa, também.