Skip to main content

O dia em que o Irão lançou a sua maior ameaça ao mundo: petróleo a 200 dólares

O mundo reagiu à ameaça e os 32 países mais ricos do mundo aprovaram a libertação de 400 milhões de barris de petróleo para tentar conter os preços, com Portugal a contribuir. Preços do petróleo e do gás subiram no 12º dia de guerra.

O Qatar já tinha falado do barril de petróleo a 150 dólares, mas o Irão lançou a sua pior bomba para a economia global: ameaçou o mundo com o petróleo a 200 dólares. Apesar de estar agora abaixo dos 100 dólares, o disparo para 200 dólares teria efeitos devastadores na economia global.

O mundo reagiu a esta ameaça e os 32 países mais ricos do mundo (da OCDE) aprovaram a libertação de 400 milhões de barris de petróleo para tentar conter os preços.

O barril de Brent subia 5% ao final da tarde de quarta-feira para mais de 92 dólares. Já o gás europeu subia quase 4% para mais de 49 euros/MWh.

Portugal pode vir a libertar até 10% das suas reservas de petróleo, mas ainda não há data, disse na quarta-feira a ministra do Ambiente e da Energia.

Donald Trump já disse que não resta "praticamente nada para atacar" no Irão após quase duas semanas de bombardeamentos, prevendo que a guerra termine em "breve".

O comando militar iraniano avisou que o mundo deve estar preparado para petróleo a 200 dólares por barril, no mesmo dia em que três navios foram atacados por cruzarem o Golfo Pérsico.

“Preparem-se para o petróleo a 200 dólares por barril, porque o preço depende da segurança regional que desestabilizaram”, disse o porta-voz do comando militar iraniano Ebrahim Zolfaqari na quarta-feira dirigindo-se aos EUA.

Em reação, a Agência Internacional de Energia (IEA) aprovou na quarta-feira uma injeção recorde de reservas de petróleo nos mercados para tentar conter os preços.

Um total de 400 milhões de barris serão injetados no mercado, segundo a IEA, isto no mesmo dia em que o Irão ameaça com petróleo a 200 dólares por barril.

A IEA co-coordena as reservas de emergência dos países da OCDE, que contam com mais de 1,2 mil milhões de barris em reservas de emergência, com os EUA a deter a maior fatia.

Além disto, existem mais de 600 milhões de barris detidos por estes países.

Os ataques do Irão e de Israel realizados recentemente foram dos mais intensos desta guerra, segundo o ministério da Defesa dos EUA. Mas o Irão está a demonstrar que tem capacidade de retaliação e de controlar o estreito de Ormuz, onde era escoado 20% do petróleo mundial.

O Irão retaliou na quarta-feira e lançou ataques a Israel e a muitos alvos no Médio Oriente.

A Guarda Revolucionária do Irão voltou a avisar esta semana que está preparada para bloquear petroleiros no vital estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo e do gás consumidos em todo o mundo.

Disse que não vai permitir que um “único litro” de petróleo do Médio Oriente chegue aos EUA e aos seus aliados enquanto os ataques continuarem. “Somos quem vai determinar o fim da guerra”, segundo o porta-voz da Guarda.

Os EUA anunciaram que eliminaram 16 navios iranianos que colocam minas no estreito.

No Irão, mais de 1.300 civis foram mortos pelos bombardeamentos dos EUA e de Israel, segundo o embaixador do país nas Nações Unidas, Amir Saied Iravani, com quase 8 mil casas destruídas, dezenas de infraestruturas médicas, de educação e energéticas, e 1.600 centros de serviço e de comércio, segundo a “Reuters”.

Em Israel, os ataques mataram 11 pessoas, com 7 soldados dos EUA mortos e 140 feridos.

Por parte da Casa Branca, ficou o aviso esta semana de que a guerra não vai terminar até “o inimigo estar totalmente e decisivamente derrotado”, segundo o ministro da Defesa Pete Hegseth, garantindo que só termina quando Trump decidir.

Na segunda-feira, Donald Trump disse ao mundo que a guerra “está praticamente concluída”.

O presidente também afirmou que a Marinha dos EUA está preparada para “escoltar petroleiros pelo estreito, se for necessário. Espero que não seja, mas se for, vamos escoltá-los”, afirmou.

A maior exportadora mundial de petróleo avisou na terça-feira para as “consequências catastróficas” do encerramento do estreito de Ormuz, segundo a petrolífera estatal saudita Saudi Aramco.

“Vão existir consequências catastróficas para os mercados globais de petróleo, e quanto mais durar a disrupção, mas drásticas serão as consequências para a economia global”, segundo o presidente da Aramco, Amin Nasser citado pela “CNN”.

A Guarda Revolucionária do Irão voltou a avisar que irá bloquear o tráfego de petroleiros no estreito de Ormuz a não ser que os bombardeamentos parem.

Depois de Teerão ter nomeado o filho de Ali Khamenei como novo Líder Supremo do país, o regime continua a adotar um tom desafiante para com os EUA.

“Certamentos, não estamos a ver um cessar-fogo; acreditamos que o agressor deve ser atingido na boca para que aprenda a lição e nunca mais pense em atacar o querido Irão”, segundo o porta-voz parlamentar Mohammad Baqer Qalibaf.

Portugal só liberta 10% das suas reservas de petróleo se preços voltarem a disparar

Portugal pode vir a libertar até 10% das suas reservas de petróleo, mas ainda não há data, disse a ministra do Ambiente e da Energia na quarta-feira.

A eventual libertação só irá acontecer num esforço concertado a nível europeu, apesar de os 32 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) terem acordado libertar 400 milhões de barris de petróleo para conter os preços a nível mundial, em conjunto com a Agência Internacional de Energia (IEA) que co-coordena as reservas destes países.

"Seria sempre quase simbólico, somos muito cautelosos, apenas uma pequena parte. 10% das nossas reservas podem ser libertadas, em conjunto com países da OCDE para fazer face aos aumentos dos preços, mas não será hoje, nem esta semana", revelou Maria da Graça Carvalho na quarta-feira.

"Iremos fazer a libertação" das reservas "se for coordenado ao nível dos países europeus. Depende da evolução dos preços", afirmou em declarações à margem de apresentação na Agência Portuguesa do Ambiente (APA) no Porto do relatório da destruição da orla costeira provocada pelas tempestades e das obras urgentes que vão ser lançadas.

"Não temos escassez a nível europeu, mas temos um problema de preço. A IEA achou que devíamos estar preparados para reagir. Aderimos por solidariedade, mas ainda não está decidido se vamos libertar agora, pode ser mais tarde. Depende da evolução dos preços", segundo a ministra.

Portugal conta atualmente com reservas de petróleo para 93 dias do consumo do país, e com gás para quatro semanas de consumo.

"A IEA está preocupada com o gasóleo", avançou a governante, pois há muitas refinarias dedicadas a este combustível no Médio Oriente.

A próxima semana deverá voltar a trazer novos aumentos dos preços dos combustíveis: subida de 15 cêntimos do gasóleo e de 11 cêntimos da gasolina, segundo a "SIC Notícias".

Os países europeus têm estado a coordenar-se com o Luxemburgo a liderar esforços.

A ministra disse que a "esperança" é que a guerra "se resolva no período de 3-4 semanas. Estamos no meio da segunda, seria muito importante. Não é por questão de escassez ou de reservas, é o preço".

Por outro lado, revelou a preocupação com o gás. "Estamos muito preocupados com o gás", apesar de Portugal ter pouco peso de gás na produção de eletricidade, que é dominada pelas energias renováveis, que não carecem de importação, uma grande vantagem nesta altura.

Mas o gás é "essencial para para algumas das nossas indústrias, como o vidro, cerâmica e alguma parte do vestuário".

Apesar de tudo, existem "mecanismos na regulamentação europeia que dão a possibilidade aos estados-membros de atuar, sem nova legislação europeia, ou de aprovação pela Direção-Geral de Concorrência, de atuarem numa emergência energética".

Isto só acontece se o gás aumentar 70%; mas "ainda não estamos lá".

A próxima semana é "muito importante" com os ministros europeus da energia reunidos em Bruxelas na segunda-feira, com os grupos políticos europeus a reunirem-se a meio da semana, e com Conselho Europeu reunido na quinta e sexta-feira.

Em cima da mesa vão estar temas como "atual ao nível do gás no mercado da eletricidade" e como "proteger o preço da eletricidade".