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Nova temporada do TNSJ com programação “mestiça” e muitas coproduções

Artes : A nova temporada 2026/2027 do Teatro Nacional de São João, no Porto, traz projetos saídos da ‘wishlist’ do atual diretor, o coreógrafo Victor Hugo Pontes, 15 estreias absolutas, seis produções próprias, 18 coproduções e oito espetáculos internacionais. Números à parte, o que importa é a pertinência.

Sim, as listas de desejos existem. E o diretor artístico do Teatro Nacional de São João (TNSJ), no Porto, não se inibe quanto a isso. Escolhido por unanimidade para o cargo, que assumiu em dezembro de 2025, considera-se “um privilegiado, porque há 20 anos que faço aquilo que quero, de que gosto e que me deixam fazer.” Entre projetos que lhe animam a mente e outros que ainda levam o dedo do seu antecessor, Nuno Cardoso, a programação do TNSJ para a temporada 2026/2027 faz-se de ecletismo ou, como foi dito na apresentação da mesma, “com um saudável caráter mestiço.”
O arranque, esse, tem ‘letra grande’, i.e., “Maiúscula”. Um solo de Jacinto Lucas Pires, com produção do São João, encenado por Marcos Barbosa e interpretado por Luísa Cruz, na pele de Benedetta Croce, uma atriz de certa idade a quem um realizador propõe um projeto chamado Medeia. “Caíram as cuecas da corda.” Eis a primeira fala deste monólogo. Mas ficamos por aqui, sem mais spoilers. A peça, com estreia a 9 de setembro, fica em cartaz até 13 e segue em digressão nacional com paragens na Lousã, Tavira e Bragança.
Logo depois, entra em cena Camões. E um punhado de perguntas. De todos os Camões, qual deles guardar e celebrar? O do teatro mal-amado? O dos sonetos petrarquistas, o das odes horacianas, o da epopeia virgiliana? Na ópera “Relicário Perpétuo” estão lá todos, ou não fosse esta uma celebração V Centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões. A composição musical é de Luís Tinoco, o libreto, de Luísa Costa Gomes, Nuno Carinhas encena e a maestrina Joana Carneiro dirige a Orquestra Sinfónica Portuguesa.
“Kung-Fu” é o título do solo autobiográfico de Dieudonné Niangouna. Nele, o dramaturgo, encenador e ator congolês eleva o teatro a arte de combate. No TNSJ, o “Kung-Fu” da encenadora Renata Portas, com Diogo Tormenta a vestir a pele de guerreiro, convida-nos a participar do combate, a insistir no teatro, no palco do São João, de 17 a 19 de setembro. Já o encenador e realizador Tiago Guedes dirige o espetáculo “Anatomia de um suicídio”, de Alice Birch. Três gerações – mãe, filha e neta –, em três tempos e espaços distintos, mas cujas histórias são contadas em simultâneo, com o fantasma do suicídio sempre presente.
A programação do TNSJ também inclui coproduções com novas companhias e artistas que, pela primeira vez, fazem parte da programação do São João. A ambição é clara e salutar: estreitar laços com companhias de teatro sediadas na região Norte. E não só. A primeira, aliás, é com o Teatro Aberto, de Lisboa, que apresenta “Caravana”, de João Luís Barreto Guimarães, com encenação de João Pedro Vaz e interpretação de Joaquim Horta e Rita Calçada Bastos. A leitura de Gonçalo Waddington de “O Pai”, de Strindberg, também marca presença, numa coprodução com o São Luiz Teatro Municipal, também de Lisboa.

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