Skip to main content

NATO reafirma defesa conjunta "inabalável" na declaração de Ancara

A declaração final conjunta dos Estados-membros sublinha o compromisso com a defesa conjunta e revelou novas aquisições de equipamentos de defesa. Dito de outra forma: o Artigo 5º não está em causa. O apoio à Ucrânia é especialmente acarinhado pelo bloco.

A declaração final conjunta da cimeira da NATO em Ancara (que havia sido previamente acordada pelas chancelarias dos 32 Estados-membros), afirma que estão assumidas maior responsabilidade na defesa da aliança, ao anunciarem um total de mais de 50 mil milhões de dólares em novas aquisições. De acordo com a declaração, os membros da NATO também prometeram 80 mil milhões de dólares em assistência militar à Ucrânia para 2026 e "níveis pelo menos equivalentes" de apoio em 2027.

A declaração diz que os países reafirmaram o seu compromisso “inabalável”” com a defesa coletiva, conforme o que está estipulado pelo Artigo 5º do pacto da aliança – algo que visa um novo entendimento entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os seus aliados europeus, depois de Washington ter colocado em dúvida que o aceitaria sem restrições.

"A nossa unidade, solidariedade e força coletiva continuam a ser o alicerce da paz, da segurança e da prosperidade para o bilião de cidadãos na nossa aliança de nações livres e democráticas. Mantemos o nosso compromisso com a abordagem de 360 ​​graus para dissuasão e defesa", diz a declaração.

A aliança destacou a Rússia como uma "ameaça de longo prazo" à segurança e estabilidade euro-atlânticas. "Em 2025, os Aliados europeus e o Canadá aumentaram os seus investimentos em requisitos essenciais de defesa em mais de 139 mil milhões de dólares. Os nossos investimentos estão a proporcionar as capacidades de que precisamos, ao mesmo tempo que fortalecem a nossa base industrial e a nossa resiliência. Hoje, em Ancara, anunciamos mais de 50 mil milhões de dólares em novas aquisições e comprometemo-nos a expandir a capacidade de produção coletiva e a trabalhar com a indústria para acelerar a inovação. Continuaremos o nosso trabalho para eliminar as barreiras comerciais de defesa entre os aliados e alavancar as parcerias da NATO para maximizar a profundidade e a cooperação industrial na área de defesa", afirma ainda o documento.

A declaração contém uma referência velada ao conceito NATO3.0: "Estamos a construir o futuro: uma Europa mais forte numa NATO mais forte, uma aliança modernizada. Os aliados europeus e o Canadá, trabalhando com os Estados Unidos, assumem maior responsabilidade pela defesa da aliança. A dissuasão e a defesa da NATO baseiam-se numa combinação adequada de capacidades nucleares, convencionais e de defesa antimíssil, complementadas por recursos espaciais e cibernéticos. Estamos comprometidos em manter a nossa vantagem em combate. Estamos a investir na nossa capacidade de mobilizar, capacitar e sustentar as nossas forças armadas e atingir as nossas metas de capacidade em todos os domínios, incluindo ataques de precisão em profundidade, defesa aérea e antimíssil integrada, sistemas não tripulados, tecnologias de ponta e capacidades de inteligência. Estamos a desenvolver uma nuvem de guerra transatlântica interoperável e a adotar modelos de IA poderosos", diz ainda.

Defesa da Ucrânia em alta

Parte da declaração foi dedicada à Ucrânia. "A Ucrânia contribui para a segurança transatlântica e os aliados estão unidos no seu apoio inabalável à Ucrânia na defesa de sua liberdade, soberania e integridade territorial. Os aliados europeus e o Canadá financiam atualmente a grande maioria da assistência de segurança à Ucrânia por meio de mecanismos bilaterais e multilaterais. Os aliados ressaltam que esse apoio deve ser equitativo, previsível e sustentável a longo prazo. Para 2026, os aliados prometem 70 mil milhões de euros em equipamentos militares, assistência e treino para a Ucrânia e reafirmam os seus compromissos soberanos de manter níveis pelo menos equivalentes em 2027. Para esse fim, saudamos a decisão da União Europeia de fornecer financiamento plurianual à Ucrânia por meio do Empréstimo de Apoio à Ucrânia", afirma a declaração.

"A aliança continua a responder e a adaptar-se à competição estratégica, à instabilidade generalizada, às ameaças híbridas e aos choques recorrentes que definem o nosso ambiente de segurança mais amplo. Os aliados reiteram que o Irão nunca deverá possuir uma arma nuclear e apelam ao Irão para que respeite plenamente a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”, conclui a declaração.